Sociedade
PJ trava grupo criminoso suspeito de regularização fraudulenta de milhares de imigrantes
Operação “Neblina Atlântica” passou por Pombal, Alcobaça, Cantanhede e Porto
A Polícia Judiciária deteve dois homens e duas mulheres, entre os quais três empresários e o chefe de um serviço de Finanças da região Centro, suspeitos de crimes relacionados com a regularização fraudulenta de milhares de imigrantes. No decurso da operação Neblina Atlântica foi ainda detido, em flagrante delito, um homem, pela prática do crime de detenção de arma proibida.
Num comunicado enviado hoje, a PJ informa que desencadeou, esta terça-feira, "nas zonas de Cantanhede, Pombal, Alcobaça e Porto, uma operação policial com vista ao desmantelamento de um grupo criminoso organizado, dedicado à prática reiterada dos crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal, corrupção, branqueamento de capitais e falsificação de documentos, e que culminou com a detenção de cinco suspeitos".
"Da complexa investigação em curso, iniciada em Setembro de 2025, verificou-se que este grupo criminoso dedicava-se à legalização fraudulenta de milhares de cidadãos estrangeiros, em Portugal, ao longo de vários anos", acrescenta o comunicado.
Os suspeitos actuavam com o objectivo de "obter elevados proventos financeiros, recorrendo, para o efeito, a elaboradas estratégias destinadas a dissimular a sua actuação e a ludibriar diversas instituições do Estado português".
A PJ explica que os imigrantes seriam clientes deste grupo criminoso e, na "expectativa de alcançarem uma vida melhor, dispuseram-se a pagar elevadas quantias monetárias para obter a documentação necessária à instrução dos respectivos processos de regularização, vivendo e trabalhando, muitos deles, em diversos países do espaço europeu, pese embora figurem, perante a Autoridade Tributária e a Segurança Social, como exercendo actividade profissional em Portugal".
No decurso das 16 buscas realizadas, foi apreendido um vasto acervo documental relacionado com processos de regularização irregular de cidadãos estrangeiros, equipamento informático, três armas de fogo e cerca de 50 mil euros em numerário, adianta a PJ.
A operação, na qual participaram cerca de 90 inspectores e especialistas da Polícia Judiciária, contou com a colaboração operacional e técnica da Directoria do Norte, dos Departamentos de Investigação Criminal de Aveiro, Leiria e Guarda, bem como da Unidade de Perícia Tecnológica e Informática, da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística e da Unidade de Armamento e Segurança, da Polícia Judiciária.
Os detidos, com idades compreendidas entre os 33 e os 55 anos, não têm antecedentes criminais conhecidos.