DEPRESSÃO KRISTIN
Cinco meses após Kristin, bombeiros voluntários continuam sem apoio
O presidente da associação humanitária, Carlos Carvalho, admite que as contas estão a ficar "apertadas"
Cinco meses depois da tempestade Kristin, que danificou o quartel dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, esta associação humanitária continua sem receber qualquer apoio para fazer face aos danos, alerta o presidente Carlos Carvalho.
O temporal partiu algumas janelas, arrancou outras por completo, destruiu parte da cobertura e, a céu aberto, com chuva dentro das camaratas, o interior acabou também por sofrer infiltrações, especifica o presidente.
No total, os danos representam um prejuízo de 380 mil euros, quantifica Carlos Carvalho.
Os trabalhos de reconstrução estão em curso, mas, até à data, nenhuma entidade disponibilizou apoios.
Os bombeiros recolheram todos os elementos, que entregaram à câmara, e foi a autarquia que submeteu candidatura a apoios da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, conta Carlos Carvalho.
Só esta semana o presidente da associação humanitária foi informado pela CCDRC que “os apoios para associações e colectividades ainda não foram publicados” e que “apenas decorreu o levantamento dos danos destas entidades”.
Por outro lado, acrescenta Carlos Carvalho, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, que costuma suportar custos de lanches, combustíveis e outras despesas em casos de incêndios ou catástrofes, também não pagou nada.
“Não condiciona a nossa actuação, porque tivemos o apoio anual da autarquia, de 220 mil euros, em Dezembro e tínhamos esse pé-de-meia. Temos também feito transporte de doentes, o que vai dando alguma receita. Mas estamos a ficar com contas apertadas”, alerta o presidente.
A corporação chegou a pensar que poderia receber alguma ajuda por parte do município, mas entretanto teve indicação de que a câmara não terá condições para o fazer, conta o dirigente.
Carlos Guerra, comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil, explica que as ocorrências em causa terminaram no final de Março, sendo que as corporações teriam até 30 de Abril para reportarem as suas despesas.
Uma vez que vários bombeiros afirmaram não ter condições de apresentar despesas até essa data, o secretário de Estado da Protecção Civil deliberou prolongar o prazo até ao final de Maio.
Neste momento já todos os processos estão registados no sistema informático e basta supervisão da Direcção Financeira da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil para, dentro em breve, ser feito o pagamento.