Opinião

Educar para o Dinheiro: Uma Lição que Começa na Infância

30 jun 2026 21:00

Minuto de literacia financeira - Dicas e reflexões

No mês em que celebramos o Dia Mundial da Criança é uma excelente oportunidade para refletir sobre: a literacia financeira dos mais jovens.

Os resultados do Programme for International Student Assessment (PISA) mostram que os portugueses de 15 anos apresentam um desempenho em literacia financeira alinhado com a média dos países da OCDE.

Trata-se de um resultado encorajador, que reflete os esforços para integrar a educação financeira no contexto escolar.

Ainda assim, os dados revelam que 15,5% dos jovens avaliados possuem apenas competências financeiras básicas.

Apesar do Plano Nacional de Formação Financeira 2026-2030 reforçar o investimento da educação financeira esta começa muito antes da sala de aula.

Familiares e educadores desempenham um papel fundamental na forma como as crianças encaram o dinheiro, a poupança, o consumo e a tomada de decisões.

A abordagem deve ser adaptada à idade e ao nível de desenvolvimento de cada criança. Entre os três e os cinco anos, é possível introduzir noções simples de escolha, troca e valor.

Dos seis aos nove anos, as crianças podem começar a distinguir necessidades de desejos, definir objetivos de poupança e gerir pequenas quantias de dinheiro.

Um sistema de mealheiros para diferentes finalidades pode ser uma ferramenta útil.

Entre os dez e os 12 anos, torna-se mais fácil trabalhar conceitos como a comparação de preços, o orçamento familiar e os cuidados associados aos meios digitais de pagamento.

Na adolescência, à medida que aumenta a autonomia financeira, é importante abordar temas como a gestão responsável do dinheiro, a fraude financeira, os diferentes tipos de investimento e o risco associado.

Esta aprendizagem é hoje ainda mais importante num contexto em que as crianças e os jovens estão diariamente expostos à publicidade, às compras online, aos influenciadores digitais e a formas de pagamento cada vez mais imediatas.

A facilidade com que se consome pode dificultar a perceção do valor do dinheiro e das consequências das decisões financeiras.

Mas será necessário ser especialista em finanças para educar financeiramente uma criança?

Não. O mais importante é que o dinheiro não seja um tema tabu.

As crianças aprendem através da observação dos comportamentos dos adultos e das conversas do dia a dia.

Falar abertamente sobre poupança, consumo responsável e definição de prioridades ajuda a construir conhecimentos que serão úteis ao longo de toda a vida.

A educação financeira começa em pequenos gestos: numa ida ao supermercado, numa conversa sobre prioridades ou na decisão entre gastar agora ou poupar para mais tarde.

São estes momentos que ajudam a formar adultos mais conscientes, responsáveis e preparados para tomar decisões financeiras informadas.

Investir na literacia financeira das crianças é, afinal, investir no futuro de todos.