Sociedade

Professor nega agressões a crianças em escola de Leiria

23 jan 2026 16:46

Mãe de uma das alegadas vítimas relata denúncias de chapadas e beliscões

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O professor que está acusado pelo Ministério Público de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada negou hoje no Tribunal Judicial de Leiria que tenha proferido chapadas a alunos.

Durante a manhã, no seu depoimento, o arguido, de 51 anos, professor numa escola do 1.º ciclo do concelho de Leiria, garantiu que não desferiu chapadas ao longo do ano lectivo de 2021/22, segundo relatou o seu advogado.

“Assumiu que falou alto, que agarrou no braço, como forma de corrigir o comportamento [em sala de aula] da criança para que tomasse atenção, mas negou as chapadas”, disse João Paulo Linhares. O advogado de defesa acrescentou que o professor confirmou ainda que mandou outra criança pedir desculpa à turma, pelo seu comportamento no recreio - estaria a mandar pedras -, mas repetiu que tenha sido o autor de qualquer agressão.

No depoimento durante a tarde, a mãe de uma das crianças queixosas contou no Tribunal de Leiria que cerca de um mês depois do início das aulas, em Outubro de 2021, o professor da sua filha, que frequentava o 1.º ano do 1.º ciclo, lhe ligou para pedir desculpa, assumindo que tinha dado uma chapada à criança.

“Justificou que era uma menina teimosa, irrequieta. E pediu desculpa, garantindo que a situação não se voltaria a repetir. Como foi o professor a ligar e a pedir desculpa, dei o assunto por encerrado”, contou a progenitora.

No entanto, a mãe e o pai passaram a estar em alerta e diariamente perguntava à filha e ao filho - gémeo que estava na mesma turma - como tinha corrido o dia. Os relatos eram idênticos, disse, revelando que o menino contava que a irmã “continuava a levar chapadas e beliscões no braço”. 

Um alegado incidente mais grave aconteceu em Fevereiro de 2022, quando foi relatado aos pais que a menina teria sido “puxada pelos colarinhos, arrastada até ao corredor e levado duas chapadas”.

“O professor levou-a para a casa de banho e esfregou a cara com um papel”, adiantou a mãe, admitindo, contudo que nunca tinha visto nenhuma marca física.

Esta foi a "gota de água" que levou os pais a agendar uma reunião com a direcção do agrupamento e o representante da associação de pais. "A directora do agrupamento disse que não tinha poderes para suspender o docente, mas que seria instaurado um inquérito", afirmou, ao referir que foi solicitado que as crianças pudessem mudar de escola, mas a direcção referiu que não havia vagas nos estabelecimentos de ensino mais próximos da sua área de residência.

No despacho de acusação citado pela agência Lusa, entre outros aspectos, o MP referiu que, em Fevereiro do ano seguinte, por a aluna se ter recusado a olhar para o quadro, o professor agarrou-a pelo queixo e deu-lhe “três ou quatro bofetadas no rosto”.

Depois, empurrou-a para fora da sala de aula em direcção à casa de banho, “ao mesmo tempo que lhe ia dando diversas chapadas no rosto”.
Quando professor e aluna se encontravam na casa de banho, aquele “lavou a cara da menor com força, esfregou papel no seu rosto com muita força e disse-lhe aos berros: ‘Vai para a sala de aula’”.

Ainda de acordo com o despacho de acusação, em Março de 2024, um outro menor, então com 9 anos, estava numa aula de karaté na escola.
Como a criança estava a perturbar a aula, uma professora chamou-a à atenção e chamou o arguido, que não era docente daquela.
O arguido disse à criança “para pedir desculpa à turma, o que o menor não fez de imediato”, acabando por lhe dar duas chapadas, o que foi presenciado pela professora e quatro colegas.