Sociedade

Pombal: milhões de euros em prejuízo, sem previsão para o restabelecimento da rede eléctrica

29 jan 2026 18:41

Apenas a cidade de Pombal tem algum acesso a energia e telecomunicações, com o restante concelho às escuras. Autarquia apela à calma e confirma que tem equipa a prestar esclarecimentos à população por via telefónica

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Câmara de Pombal fez, hoje (29 de Janeiro), um ponto de situação sobre o estado do concelho
IGM
Inês Gonçalves Mendes

A Câmara Municipal de Pombal referiu, hoje (29 de Janeiro), que não há previsão para o restabelecimento da rede eléctrica no concelho, estando apenas a cidade de Pombal com algum acesso a energia e à rede de telecomunicações.

Em conferência de imprensa, a vice-presidente, Isabel Marto, explicou que “os danos são muito grandes, tanto em termos de rede de alta, média, baixa tensão e sub-estações” e “o trabalho de reposição de toda a rede eléctrica vai demorar alguns dias”.

“A E-Redes tem uma equipa nesta região de 1.200 pessoas a trabalhar no restabelecimento da rede, todos os dias. Estão a trabalhar para que no início da próxima semana haja mais zonas do concelho ligadas, mas, para todos os efeitos, ainda não podem garantir prazos. Temos de nos preparar – é o que temos feito – com recurso a geradores”, adiantou a autarca.

Uma das prioridades, entre ontem e hoje, foi o restabelecimento do abastecimento de água. “Já instalámos cerca de 20 geradores, desde ontem, para minimizar falhas da rede de águas. Há algumas aldeias que ainda têm estas falhas, vamos continuar amanhã com a colocação de mais geradores, esperando até amanhã conseguir restabelecer na totalidade a rede de água”.

Da parte da autarquia, cerca de 500 pessoas estão no terreno a fazer desimpedimento de vias, minimizar danos nas infra-estruturas ou a apoiar populações. “Pela dimensão do desastre, precisaríamos de muitas mais, mas é preciso que a nossa comunidade saiba que temos muita gente a trabalhar e, se ainda não chegámos junto de cada um, é porque não foi humanamente possível”, esclareceu Isabel Marto.

A vice-presidente adiantou que a Câmara tem uma linha de apoio – 236210500 – para a população que procura obter informações sobre familiares, estando em articulação com as juntas de freguesia.

Não há registo de feridos no concelho, mas foram identificadas 12 pessoas desalojadas, que já foram devidamente encaminhadas.

A autarquia refere que há “aldeias inteiras com danos nos telhados” e todas as 17 freguesias foram afectadas pela depressão Kristin “da mesma forma”.

Quanto às escolas, que ficaram hoje encerradas, também não vão abrir amanhã. As escolas do 1.º ciclo foram as mais afectadas, com danos nos telhados e árvores caídas e vão ser precisos “alguns dias” para que voltem a ter condições de receber crianças. O município afirma que está a trabalhar com as juntas de freguesia para encontrar soluções “para acolher algumas crianças e ajudar os pais durante a pausa lectiva” da próxima semana.

No sector empresarial, o impacto é “muito significativo”. Temos empresas que deixaram de ter coberturas, estruturas danificadas, algumas com equipamentos que vão começar a apanhar chuva, paragens de produção porque não há energia, stocks de mercadoria, matéria-prima e bens perecíveis que se estão a danificar”.

Estão previstos “milhões de euros” em prejuízo e o executivo está em contacto com o governo – o secretário de estado da Energia, Jean Barroca, já esteve em Pombal – para perceber quais são as medidas excepcionais de apoio à região.

Um pouco por todo o concelho, há registo de filas nos postos de combustível e a vereadora garantiu que não vão haver falhas nos abastecimentos. “Pedimos que evitem deslocações e que criem estas concentrações na cidade, porque impedem as equipas de trabalho de circular. Hoje de manhã, havia ambulâncias que queriam sair da cidade e não conseguiam”, alertou.

Sobre a recolha de resíduos, o município vai colocar, nos próximos dias, contentores nas freguesias para recolhas de restos de telhas, painéis solares ou chapas.

Nos edifícios municipais, o impacto é diverso. Há danos nos autocarros de transporte público – quando as linhas forem restabelecidas, haverá constrangimentos e redução de horários -, em pavilhões desportivos e na biblioteca. “A pista coberta está inutilizada porque caiu metade da cobertura da Expocentro (...). Os nossos técnicos estão a fazer um levantamento, para quantificarmos a despesa e avaliar isso mesmo. Preocupa-nos a Expocentro, se é possível recuperá-la. É uma dúvida que temos. Penso que no final da semana teremos essa informação”.

O mercado municipal também foi atingido, contudo, e a autarquia espera abrir este serviço no próximo sábado.

Outra das preocupações têm sido os lares de idosos. Os que possuem geradores mantêm o funcionamento, contudo, para aqueles que não têm este equipamento, a câmara municipal esclarece que as IPSS podem contactar os serviços autárquicos ou a E-Redes, para que sejam fornecidos

Principalmente, a vice-presidente quis apelar à calma. “Apelo à calma. Com o tempo, tudo se vai reestabelecer, há muita gente a trabalhar. Temos percebido que as pessoas têm sido muito solidárias umas com as outras, vizinhos que ajudam vizinhos, empresas que ajudam pessoas da sua terra, disponibilizam os seus meios. Essa solidariedade tem de continuar”, enalteceu Isabel Marto, esta tarde, em conferência de imprensa.