Sociedade
Parlamento institui Dia Nacional do Calceteiro, efeméride que Manuel Reis ajudou a esculpir
Calceteiro de Alcobaça trabalha pela valorização de um ofício que poucos dominam
Ao cabo de 37 anos dedicado a este ofício, Manuel Reis não cabe em si de felicidade. Natural de Armamar e radicado no concelho de Alcobaça, Manuel Reis fez parte do grupo de 12 pessoas, que na sexta-feira, foram recebidas na Assembleia da República e tiveram feedback positivo em relação ao seu propósito.
Na presença de elementos da Associação da Calçada Portuguesa e do Núcleo de Calceteiros da Calçada Portuguesa, o Parlamento instituiu 22 de Julho como o Dia Nacional do Calceteiro e da Calçada Portuguesa, salienta Manuel Reis. Foi um passo relevante no processo de candidatura da Arte e Saber-fazer da Calçada Portuguesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, submetido em 2025, explica o calceteiro.
Consigo, Manuel levou um amigo da Póvoa, colega de profissão, João Botelho, Manuel começou a trabalhar como calceteiro aos 18 anos.
Residente na Póvoa de Cós, deixou a sua arte por muitas ruas do País, Espanha, Escócia, Inglaterra e Alemanha. “Apaixonado pela arte”, também percorreu vários pontos do globo, para visitar cenários artísticos de pedra e também já expôs alguns dos seus projectos.
Foi no município de Lisboa, onde deverão restar apenas 14 calceteiros- estima Manuel – que este fez uma das suas formações, certificada pela Escola de Calceteiros de Lisboa. É preciso apostar na formação e na remuneração. “Com vencimento baixo, não se valoriza o calceteiro, que trabalha ao calor, ao frio e à chuva”, sacrificando “a coluna, os joelhos e os pulsos”. Isto, além da arte, que demora a ser aperfeiçoada.