Sociedade
Caldas da Rainha encomenda estudo independente para localização do novo Hospital do Oeste
Análise multicritério, entregue ao CEDRU, vai comparar quatro centros urbanos - Caldas da Rainha, Torres Vedras, Peniche e Bombarral - e será apresentada ao Ministério da Saúde
O Município das Caldas da Rainha não dá por encerrada a discussão sobre onde será localizado o futuro Centro Hospitalar do Oeste (CHO) e adjudicou a realização de um estudo técnico independente.
Quando concluído, o documento sobre a nova unidade de saúde, será apresentado ao Ministério da Saúde, segundo nota da autarquia, divulgada esta segunda-feira, 6 de Julho.
O estudo, intitulado Avaliação Multicritério da Localização do Novo Centro Hospitalar do Oeste, ficará a cargo do CEDRU - Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano e destina-se a dotar a câmara de Caldas de uma base técnica sólida e transparente para sustentar a sua posição no processo de decisão.
A análise, que deverá prolongar-se por cerca de três meses, vai comparar quatro centros urbanos como possíveis locais para a construção do CHO: Caldas da Rainha, Torres Vedras, Peniche e Bombarral.
"O Município das Caldas da Rainha pauta a sua actuação pelo rigor, pela responsabilidade e pela transparência. Foi precisamente por esse motivo que decidiu contratar um estudo técnico independente, rigoroso e imparcial, garantindo que a decisão sobre a localização do futuro hospital assenta em critérios objectivos, sustentados e tecnicamente fundamentados", refere no documento o presidente da câmara, Vítor Marques.
Os trabalhos serão estruturados em duas fases.
No primeiro mês será construída a matriz multicritério, com a definição dos critérios, indicadores, ponderações e da área de influência do CHO.
Nos dois meses seguintes decorrerá a avaliação comparativa, com recolha de dados, modelação de acessibilidades, comparação dos quatro centros urbanos, análise de sensibilidade e recomendações finais.
A análise incidirá na macro localização, que terá como base os centros urbanos e não terrenos concretos, e ponderará critérios como a acessibilidade das populações, a mobilidade dos profissionais, a integração no sistema urbano, a coerência com o ordenamento do território e os impactos territoriais e sociais.
Um hospital com reflexos em Leiria
A autarquia volta a insistir nos argumentos que, defende, justificam a escolha das Caldas da Rainha.
Sublinha que o actual Hospital das Caldas fechará portas, deixando o concelho e toda a região Oeste Norte sem hospital público, enquanto o Oeste Sul já se encontra servido por várias unidades públicas, em Loures, Vila Franca de Xira e Lisboa, além de clínicas e hospitais privados em Torres Vedras e em Lisboa.
O município lembra ainda que a nova unidade nas Caldas poderia ajudar a aliviar a pressão sobre os hospitais de Leiria e de Santarém e continuar a servir, para lá da sua área de influência directa, as populações de Alcobaça, Rio Maior e Nazaré.
Do lado da atractividade, a autarquia refere que Caldas da Rainha e Óbidos recebem cerca de 3,5 milhões de pessoas por ano, entre turistas e residentes temporários, que a região Oeste Norte concentra 75% das estadas turísticas e que a saúde é um motor económico local, com mais de 900 empregos directos apenas no concelho caldense.
Aos acessos rápidos pelas auto-estradas A8, A15 e IP6, ao terminal rodoviário e à estação de comboios existentes soma-se a possibilidade de construir uma nova estação ferroviária junto ao terreno proposto.
"Caldas da Rainha reúne todas as condições para acolher o novo hospital. Desde logo, tem um terreno de 65 hectares planos, disponível de imediato e com capacidade de expansão, excelentes acessos pelas auto-estradas A8 e A15 e ainda uma linha ferroviária, para a qual existe a possibilidade de construir uma nova estação junto às instalações do futuro hospital", sublinha Vítor Marques.
O valor da contratação do estudo foi de 38 mil euros, acrescidos de IVA.