Sociedade

Município de Leiria aprova parecer desfavorável a ampliação de exploração de areias em Monte Redondo

11 ago 2026 09:21

Hoje, dia 11, será realizada uma sessão de esclarecimento ao final da tarde, agendada e conduzida pela Agência Portuguesa do Ambiente e com a presença da empresa exploradora

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Ricardo Graça/Arquivo
O executivo da Câmara de Leiria aprovou por unanimidade o parecer desfavorável à ampliação de uma exploração, a céu aberto, de depósitos arenosos, a funcionar na freguesia de Monte Redondo.
 
Segundo o parecer, existem "insuficiências técnicas relevantes ao nível da avaliação dos impactes ambientais".
 
"Os elementos apresentados não permitem demonstrar, de forma inequívoca, a inexistência de impactes ambientais significativos e potencialmente irreversíveis sobre os recursos naturais, a paisagem e os ecossistemas locais, persistindo incertezas quanto aos efeitos da exploração a longo prazo", lê-se no documento.
 
O parecer adianta que as insuficiências técnicas se referem à "ausência de uma demonstração quantitativa dos efeitos da exploração por dragagem sobre o aquífero" e "à influência sobre as captações existentes na envolvente", concluindo que há também uma "reduzida análise dos impactes cumulativos ao longo dos 38 anos previstos para a vida útil do projeto".
 
Esta análise foi elaborada no âmbito da consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental da ampliação da concessão mineira, que produz areias siliciosas e caulino, proposta que prevê o aumento da área de 33,47 hectares para 102,01 hectares.

Luís Lopes adiantou, na reunião de câmara desta segunda-feira, que a autarquia tem manifestado várias preocupações, não só com esta exploração, mas com outras. “Há uma real preocupação com a exploração de recursos naturais. Temos consciência que estes recursos estão neste sítio e não noutro. Ainda assim, não é salvo-conduto para que estes recursos não sejam explorados, mas sobretudo, que não haja a protecção dos recursos que ainda continuam neste território”, destacou.

O vereador com o pelouro do Ambiente reforçou que o município “nada tem contra a actividade das empresas, até porque algumas delas têm sede no concelho e são importantes” e tem “consciência de que quando se apela ao reforço e à qualidade de habitação” se está a falar “de recursos que são absolutamente essenciais para que isso aconteça”.

Exploração regrada

No entanto, a "sua exploração tem de ser regrada sem colocar em causa a qualidade de vida de todos os leirienses”.

Por seu lado, Nuno Serrano disse que a proposta de ampliação prevê “uma produção de 825 mil toneladas por ano e uma exploração projectada para mais 38 anos”, a que "acresce ainda uma preocupação" que não pode ser desvalorizada: "a emissão de poeiras e, em particular, de partículas de sílica respirável, numa exploração desta dimensão e com habitações na proximidade”.

O vereador do PSD acrescentou que se quer que “Monte Redondo se desenvolva, que o seu parque industrial atraia empresas e investimento e que a freguesia seja capaz de atrair novos residentes”, ampliar uma exploração de inertes estaria a “aumentar significativamente a pressão de uma atividade extrativa junto das populações”.

Já o vereador do Chega, Luís Paulo Fernandes, disse que nada tem “contra estas empresas e esta economia, mas já existe uma pressão imensa” naquela zona.

Hoje, dia 11, será realizada uma sessão de esclarecimento no Centro Escolar de Monte Redondo ao final da tarde, agendada e conduzida pela Agência Portuguesa do Ambiente, e “terá a presença da empresa para apresentar o seu estudo de impacto ambiental”, informou Luís Lopes, referindo que a consulta pública no portal Participa termina a 20 de Agosto.