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Mosteiro de Alcobaça: apoio internacional para restauro de esculturas
Figuras em terracota produzidas nos séculos XVII e XVIII
Com sede em Nova Iorque, o World Monuments Fund (WMF) é uma organização independente que se dedica à salvaguarda de património cultural no mundo inteiro e acaba de divulgar a lista de 21 projectos apoiados em 2026, onde consta o Mosteiro de Alcobaça, que transita do ano passado.
No monumento classificado pela Unesco e fundado pela Ordem de Cister durante o reinado de D. Afonso Henriques, o objectivo do WMF Portugal é angariar fundos para preservar o retábulo do Trânsito de São Bernardo, situado no transepto direito da igreja, incluindo um conjunto de 38 esculturas em terracota policromadas, pintura mural e molduras em pedra, em avançado estado de degradação, que requerem intervenção urgente.
Até agora, segundo a informação enviada ao JORNAL DE LEIRIA, foram assegurados 100 mil dólares (o equivalente a 84 mil euros) pela Iron Mountain Charitable Foundation, dos Estados Unidos, e existe a possibilidade de mobilizar outro financiamento internacional, além de contributos nacionais.
De acordo com a directora executiva do WMF Portugal, Teresa Veiga, “a obra tem um orçamento preliminar de cerca de 320 mil euros, aos quais se somam custos de supervisão científica, técnica e financeira”. Está “em fase de definição dos documentos técnicos para se poder lançar um concurso público para a sua execução”.
As 169 esculturas em terracota produzidas no Mosteiro de Alcobaça entre 1670 e 1765 são considerados exemplares únicos pela sua escala, método construtivo e qualidade artística.
O projeto de salvaguarda abrange diferentes vertentes a serem cofinanciadas entre o WMF, a Museus e Monumentos de Portugal e o Instituto Politécnico de Tomar.
No domínio da educação e avanço científico, em que se realizou um seminário internacional, Teresa Veiga adianta que há planos para lançar um programa educativo e editar um livro. Quanto à formação profissional, o WMF prevê organizar um workshop de artes e ofícios que será o ponto de partida para a instalação no Mosteiro de Alcobaça de uma escola de trabalho do barro.
No dia 11 de Fevereiro, o WMF anunciou mais de 7 milhões de dólares em apoio a 21 novos projectos com início em 2026, em vários países. Estes investimentos dão continuidade ao trabalho em sítios incluídos na lista World Monuments Watch 2025.
Sobre o Mosteiro de Alcobaça, o WMF adianta: “As esculturas em terracota do Mosteiro de Alcobaça datam dos séculos XVII e XVIII e são exemplos raros de escultura de grande escala num conjunto classificado pela Unesco. A sua fragilidade material e a exposição ambiental representam riscos contínuos. O WMF está a angariar fundos para assegurar a sua preservação, incorporando intercâmbio de conhecimento científico e formação profissional, em parceria com a Museus e Monumentos de Portugal”.
Em resposta ao JORNAL DE LEIRIA, Teresa Veiga detalha que “os núcleos escultóricos do Mosteiro de Alcobaça foram concebidos como obras integradas na arquitectura do edifício, mas a sua remoção do setting original na primeira metade do século XX, levou à sua descontextualização e contribuiu para o elevado estado de degradação em que se encontram”.
"A dimensão, relevância e qualidade deste património em terracota encontra-se intrinsecamente ligado à cidade de Alcobaça, onde o desenvolvimento económico se encontra profundamente alicerçado na produção cerâmica e na actividade turística associada ao Mosteiro”, assinala a arquitecta, para quem “o património em terracota do Mosteiro possui, por isso, um forte vínculo à sua comunidade que deve ser reavivado”.