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Linha Music Camp: Quatro dias a aprender música e construir amizades

4 ago 2026 10:00

Acampamento musical promovido pela Metamúsica – Associação Cultural e pela Escola de Música 6.ª Linha, no Parque Verde do Vale da Moira, na Boa Vista, em Leiria

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Os olhares estão fixos nas mãos de Fred Noel. O guitarrista fala pouco da técnica antes de recuar no tempo e recordar quando, ainda adolescente, aprendia sozinho os primeiros acordes. Conta como repetia músicas até mecanizar os movimentos, como treinava a memória e porque nunca teve receio de improvisar.

Na plateia, dezenas de jovens escutam em silêncio. Alguns conhecem-no, outros descobrem-no ali, mas todos parecem absorver cada palavra. O episódio viveu-se no 6.º Linha Music Camp, acampamento musical promovido pela Metamúsica – Associação Cultural e pela Escola de Música 6.ª Linha, que decorreu entre 23 e 26 de Julho, no Parque Verde do Vale da Moira, na Boa Vista, em Leiria.

O workshop foi um dos vários momentos de partilha de uma iniciativa que reuniu 33 jovens, entre os 12 e os 24 anos, provenientes da freguesia mas também de concelhos vizinhos, incluindo participantes com necessidades educativas especiais. Mais do que um estágio intensivo, o acampamento procura criar laços entre os participantes.

As manhãs são dedicadas aos ensaios; as tardes reservam espaço para actividades de grupo, contacto com a natureza e convívio. Pelo meio há noites de palco aberto e karaoke, sempre acompanhados por uma equipa multidisciplinar de professores, vigilantes, socorristas, psicólogos, técnicos e cozinheiros.

“O relacionamento e a interacção social acabam por ser mais importantes do que a componente técnica”, resume Luís Silva, fundador da Metamúsica e da Escola de Música 6.ª Linha. “Queremos reforçar valores positivos e o sentido de união, mais do que a competição.”

Preparar repertório em três dias

Em apenas três dias, os participantes prepararam um repertório adaptado aos diferentes níveis de aprendizagem. A orquestra reúne cerca de 15 guitarras, além de baixo, saxofone, trombone, clarinete baixo, piano e voz. “Escolhemos temas que todos consigam tocar, dos principiantes aos mais experientes”, explica Luís Silva, destacando o sucesso do concerto de encerramento, onde familires dos jovens e população local marcou presença.

Para Xavier Salavisa, de 14 anos, aluno do ensino articulado de música no concelho de Tomar, esta foi a segunda participação. Este ano convenceu a irmã e mais seis amigos a acompanhá-lo. “Durante o ano, toco mais música clássica e aqui aprendo estilos diferentes, com acordes e mais rock”, conta. Mas o ambiente pesa tanto quanto a aprendizagem. “Gosto das actividades, dos passeios e das noites de palco aberto e karaoke.”

Desafio de tocar numa orquestra

Diana Santos, de 17 anos, participa pela quarta vez. Aluna de guitarra desde os dez anos, diz que já perdeu a conta às amizades que fez ao longo das várias edições. “É muito divertido. Estamos com amigos, conhecemos pessoas novas, ao mesmo tempo que aprendemos músicas novas”, afirma. Tocar numa orquestra com dezenas de músicos continua a ser, para si, um desafio estimulante.

“Estou a divertir-me muito. O ambiente é muito bom e está-se muito bem aqui.” Com cerca de 90 alunos ao longo do ano, a Escola de Música 6.ª Linha prepara-se para mudar para novas instalações até ao final de 2026.

O balanço desta edição não deixa dúvidas quanto ao caminho seguido. “Correu acima das expectativas. Os miúdos estavam genuinamente felizes, fizeram amizades e alguns até já marcaram encontros para voltarem a estar juntos”, sublinha Luís Silva. No final, mais do que um concerto, ficou a sensação de que a música foi apenas o ponto de partida para construir uma comunidade.