Sociedade
Leiria abre centro para desalojados. “Fiquei às aranhas. Tive de pedir apoio”
Este domingo, seis pessoas de quatro agregados diferentes estavam a beneficiar de alojamento e refeições na infraestrutura disponibilizada pelo município
A vida de Luciano Capitão ficou virada do avesso logo na terça-feira, quando o rio Lis galgou as margens. “Estive a brigar com a água até à volta das quatro horas e os bombeiros foram-me buscar de barco. Salvei até poder”. A cheia mede-se com o tamanho do medo. “Dois metros”. Igual, só “há 30 anos”.
Menos de 24 horas depois, a depressão Kristin arrasou o concelho de Leiria, levando a Câmara a abrir um centro de acolhimento para desalojados temporários num edifício localizado na Barreira, onde Luciano Capitão e a mulher se encontravam recolhidos, este domingo.
No total, a resposta disponilizada pelo Município, que inclui refeições, estava a garantir abrigo a seis pessoas, de quatro agregados diferentes.
Alguns animais morreram, outros fugiram para os campos. “Ficámos sem nada, praticamente”, explica Luciano, que por agora está na mesma situação de Octávio, um condutor de pesados apanhado pela tempestade numa pensão de Leiria. “Fiquei aqui às aranhas. Tive de pedir apoio”. Natural dos Açores, encontrava-se na cidade para uma entrevista de emprego.
Na Barreira, têm água e também electricidade fornecida por um gerador. E numa região que corre contra o tempo para se reerguer, o tempo não pára, nem para aqueles a quem o destino troca as voltas. “Tenho feito de voluntário”, explica Octávio, “a arranjar os telhados de uma escola”.
Manuel Afonso é outro dos 'moradores' no centro de acolhimento para desalojados temporários, vindo do Janardo, na freguesia de Marrazes, onde a casa que habita, “antiga”, com “mais de cem anos”, cedeu à força do vento. “Faltam telhas” e “não está em condições de lá ficar”.
O edifício disponibilizado pela Câmara de Leiria, com acompanhamento por técnicos da autarquia, serve de tecto também a uma mulher e ao respectivo filho.
Entretanto, no Estádio Magalhães Pessoa, e igualmente por iniciativa do Município, funciona uma plataforma de solidariedade que recebe e distribui cobertores, água, bens alimentares e produtos de higiene, além de telhas.
Outro ponto de suporte à população afectada pela depressão Kristin, no concelho, é o pavilhão dos Pousos, onde este domingo dezenas e dezenas de pessoas se deslocaram para recolher lonas, que são usadas para mitigar estragos nas habitações.