Economia

Forge e EUDIS Defense Hackathon reforçam aposta de Leiria na Defesa

9 jul 2026 08:00

A Startup Leiria vai receber o mais importante hackathon europeu de Defesa, além de lançar a iniciativa Forge, uma verdadeira forja para talento jovem e ferramentas digitais

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Autonomia no campo de batalha será o tema do EUDIS Defense Hackathon
Fotografia: Jornal de Leiria/Arquivo
Jacinto Silva Duro

A cena parece saída de um filme de Hollywood, cuja acção se passa em Silicon Valley, mas aconteceu na Startup Leiria.

Vítor Ferreira, director-geral da instituição, recorda a visita recente de um jovem que exemplifica a mudança de paradigma que o mundo atravessa.

Com 19 anos e apenas o ensino secundário, lidera uma empresa que factura 900 mil euros anualmente, com um core business que passa "apenas" por resolver problemas complexos em organizações empresariais com ferramentas de inteligência artificial.

"Fiquei boquiaberto com o sucesso. É um mundo novo", recorda Ferreira, sublinhando que este é um "sinal claro" de que a agilidade da tecnologia superou a inércia dos modelos tradicionais.

É com este espírito que a Startup Leiria, com o apoio da Casper Ventures, lançará em Outubro o Forge, que é, literalmente, uma forja de aceleração onde o ponto de partida são os desafios reais das empresas, que podem ser resolvidos através de inteligência artificial (IA) e de outras tecnologias de implementação rápida, para a solução dos quais será recrutado talento jovem, em especial entre estudantes de mestrado e doutoramento ou finalistas de licenciaturas técnicas do ensino superior regional e ainda de outros estabelecimentos como o ISCTE, o Instituto Superior Técnico, e as universidades do Porto e de Coimbra.

Após a selecção inicial de cerca de 30 a 40 jovens, que terá lugar num fim-de-semana, serão formadas dez equipas, cada uma responsável por resolver um desafio específico de uma organização empresarial.

Nesta etapa, a Startup Leiria terá como parceiro a Clan, antiga Multipessoal, uma das mais conhecidas empresas de recursos humanos, trabalho temporário e outsourcing em Portugal.

"Forjar" ferramentas e resolver problemas

Estão previstos 100 mil euros em prémios, sendo que cada equipa tem garantidos dez mil euros, valor que é pago, faseadamente, consoante o cumprimento de metas ou milestones.

"Os grupos podem ou não fazer um contrato com a empresa", explica Vítor Ferreira.

Contudo, os melhores integrarão um venture builder, um modelo de programa de aceleração mais fechado, onde o builder apoia a constituição de uma empresa em troca de 30% do capital próprio, garantindo que o piloto se transforma num negócio sustentável.

"Será uma coisa diferente, muito centrada nos desafios das empresas reais."

A meta é o foco na criação de soluções reais através do emprego de ferramentas de IA, como os LLM e outras tecnologias emergentes.

"Não queremos coisas pré-feitas, queremos que, no fundo, as pessoas idealizem pilotos", reforça o director, sublinhando que a Startup Leiria está a posicionar-se como uma "forja de novas oportunidades".

"Estamos já a contactar empresas da região e de fora dela por causa do Forge.

Agilidade e inovação

A estratégia de agilidade e inovação cruza-se directamente com a intenção de se criar, na região, um cluster para a fileira da Defesa.

Além do Forge, Leiria acolherá, entre 15 e 17 de Outubro, o EUDIS Defense Hackathon, uma importante iniciativa europeia onde a Startup Leiria foi uma das 12 seleccionadas em toda a Europa, após uma candidatura que aconteceu no seguimento da primeira edição do Defense Accelerator, programa de aceleração para capacitar e preparar PME para competirem no mercado da Defesa e tecnologias de dupla utilização civil e militar.

Promovido no âmbito do EU Defence Innovation Scheme (EUDIS), integrado no Fundo Europeu de Defesa, o hackathon reúne estudantes, engenheiros, investigadores, programadores, startups, pequenas e médias empresas, indústria e utilizadores finais para desenvolver soluções inovadoras para desafios reais da defesa europeia ao longo de 48 horas.

O tema que servirá como desafio será Autonomy on the battlefield, ou "autonomia no campo de batalha".

"Se as comunicações forem bloqueadas, como podem os drones ser coordenados?", explica Vítor Ferreira.

Após se ter avaliado e sugerido o Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, para testar as tecnologias e acolher o evento, a organização elegeu a zona junto do Centro Nacional de Lançamento, nas margens do rio Lis, onde haverá espaço para levar os drones e testar os limites da autonomia em ambiente real.

Mas a ambição não se esgota neste hackathon.

Por exemplo, a segunda edição do Defense Accelerator, programado para a segunda metade deste ano, cuja meta é elevar a maturidade tecnológica dos projectos, com parcerias da EPSA (antiga FI Group), da Indra, da Thales, da Marinha Portuguesa, da Critical Ventures e Mota-Engil.