DEPRESSÃO KRISTIN

Empresários queixam-se da demora dos apoios e lamentam ausência de adiantamentos

19 mar 2026 11:11

Considerando que as medidas propostas pelo Governo foram rápidas e positivas, advertem o dinheiro “ainda não está a chegar às empresas”

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A zona industrial da Vieira de Leiria foi das mais afectadas pela tempestade Kristin
Ricardo Graça

Os empresários de vários sectores criticam a demora que os apoios estão a ter a entrar nos cofres das empresas, lamentando a inexistência de adiantamentos para fazer face aos prejuízos e acelerar a recuperação do negócio.

Numa conferência de imprensa, o porta-voz de nove associações empresariais, António Poças, apela a uma maior rapidez na resolução dos processos das seguradoras e da banca.

Considerando que as medidas propostas pelo Governo foram rápidas e positivas, o empresário constata que o dinheiro “ainda não está a chegar às empresas”.

“Essa é a nossa crítica e deveria ter havido, nomeadamente para as pequenas empresas, medidas mais directas de apoio, de chegar o dinheiro muito rapidamente, e não como projectos de financiamento, empréstimos e outras coisas que dificultam a chegada do dinheiro”, sublinha.

Em representação da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara do Comércio, Cefamol – Associação Nacional da Indústria de Moldes, APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria, ANEME - Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas, Aricop – Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém, Acilis – Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, Centimfe - Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, Associação Empresarial do Concelho de Pombal, António Poças exemplifique que se “disserem a uma empresa que está com dificuldades, que daqui a cinco anos lhe vão dar um milhão de euros, é espectacular”. “Mas se ela não tiver dinheiro para pagar os salários hoje, quando aquele dinheiro vier, já não está cá a empresa.”

Para o porta-voz das associações empresariais “as seguradoras deviam ter feito adiantamentos” e “agilizado os processos o suficiente para ser um apoio efectivo à recuperação”.

Já a banca comercial, que tem a garantia do Banco Português de Fomento a 80%, deveria agilizar a resposta aos pedidos de crédito. Segundo adianta, são as pequenas empresas – talvez as que mais precisam – que estão a ter entraves, com pedidos de garantias de garantias reais, como hipotecas de instalações ou avais pessoais.

Leiria, Marinha Grande e Pombal concentram 80% dos prejuízos globais

Na apresentação de um inquérito, que se iniciou a 12 de Março e que ainda prossegue, Henrique Carvalho, director executivo da Nerlei, sublinhou que os concelhos de Leiria, Marinha Grande e Pombal “concentram cerca de 80% do problema relacionado com as tempestades".

Das 145 respostas dadas até ao momento, um terço destas empresas não fizeram participações às seguradoras, razão que este grupo de associações desconhece, e das que abriram processos, um terço ainda não foi alvo de peritagem.

Henrique Carvalho critica também que "as seguradoras não estejam a praticar aquilo que seria uma boa prática e um apoio importantíssimo à recuperação rápida das empresas, que é haver uma política de adiantamentos".

"É uma boa prática, mesmo internacionalmente, de que entre 20% a 30% dos danos reportados e após peritagem deveriam ter uma solução de adiantamento por parte das seguradoras e isso não está a acontecer", constata.

Quanto ao recurso ao crédito, 63% das empresas “não estão a recorrer às linhas", um "bocadinho menos" do que as associações esperavam que acontecesse.