Sociedade

E-Redes admite que a reposição total de energia demore até ao final de Fevereiro

1 fev 2026 14:56

No concelho de Leiria, quase 50 mil pessoas continuam sem electricidade. Ainda este domingo, mais cinco deverão ser ligados com a reparação da linha de média tensão entre Azoia e Vidigal

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Maria Anabela Silva

O presidente do Conselho de Admnistração da E-Redes admitiu, esta manhã, que a reposição total de energia na zona afectada pela intempérie se possa prologar até ao final deste mês. Assumindo não ter previsão sobre a data em que "toda a gente vá ter energia", José Ferrari Careto admitiu que a probabilidade de isso acontecer até ao final ao final de Fevereiro é "elevada".

"É a resposta mais séria e mais honesta que tenho para dar, sob prejuízo de estar a criar falsas expectativas e de estar a faltar à verdade",a afirmou o representante da E-Redes, numa conferência de imprensa realizada ao final desta manhã, no quartel dos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está montado o centro de operações neste concelho.

Na ocasião, o administrador da E-Redes adiantou que, dos cerca de 87 mil clientes existentes no concelho, 49.900 mil estavam, às 12 horas deste domingo, ainda sem electricidade. Em todo o território afectado pela intempérie eram 167 mil, número que inclui Leiria.

"Começámos com 1,1 milhão de pessoas afectadas. Já reduzimos para 15 a 20%", assinalou José Careto, adiantando que em Leiria está a a ser ultimada a reparação da linha de média tensão, que liga Azoia e Vidigal, que permitirá "maior injecção de energia na subestação de Parceiros". Dessa forma, será possível fornecer mais cinco mil clientes e "fortalecer " o abastecimento à zona urbana de Leiria que é ainda "relativamente frágil".

Segundo explicou o responsável da E-Redes, uma das situações que está dificultar a reposição de energia neste concelho prende-se com o facto de as sub-estações de Andrinos e Pinheiros terem ficado operacionais, o mesmo acontecendo com a da Ranha, no município de Pombal. "A reparação é demorada e pode passar por encontrar métodos específicos, como estender cabos no chão", avançou o representante da E-Redes.

Para minimizar os impactos, deste prolongar dos trabalhos, sobretudos nas zonas mais rurais, está em curso uma operação para a instalação de cerca de 30 geradores nas freguesias, que deverão chegar ao terreno até ao final do dia de hoje,

 

 

O presidente da câmara explicou que estes equipamentos serão colocados juntos a pavilhões, para que as possam tomar banho e ter acesso a internet. Além de servirem esses pontos, conseguirão também alimentar algumas casas à volta. "Serão velinhas que vamos colocar na escuridão das freguesias", disse Gonçalo Lopes.

"Estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance", afiançou o presidente do Conselho de Administrador da E-Redes, assegurando que a empresa "mobilizou todas as pessoas que podia mobilizar", incluindo equipas vindas de Espanha e dos seus parceiros, e que parou a actividade de investimento porque "a prioridade total é focar-se nas zonas impactadas e restabelecer energia nesses concelhos".

Durante a conferência de imprensa, Luís Lopes, vereador da Protecção Civil da Câmara de Leiria, adiantou que, neste momento, estão no terreno 670 operacionais, meios reforçados com "três pelotões dos fuzileiros e do exército". A prioridade é a "estabilização do território" e a desobstrução dos rios Lis e Lena, face aos avisos para a ocorrência de cheias.

Luís Lopes reforçou ainda os apelos para os cuidados a ter nas acções de reparação das casas, sublinhando o "elevado número de ocorrências às urgências, com muitos traumas resultantes" desses trabalhos. Recomendou ainda para haja "muito cuidado" no uso dos g