DEPRESSÃO KRISTIN

Crianças retiradas de urgência de casa de acolhimento na Marinha Grande

14 fev 2026 14:00

Marina Domingues apela a ajuda para reerguer instalações da Adeser II

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Marina Domingues
Ricardo Graça
Daniela Franco Sousa

“Foi um pânico muito grande”, descreve Marina Domingues. Na madrugada em que a depressão Kristin varreu a região, eram 13 as crianças, entre os quais bebés de meses, que foram apanhados de surpresa pela intempérie que destelhou O Girassol, na Marinha Grande.

Neste centro de acolhimento para crianças vítimas de abandono, maus tratos, negligência e outras situações de risco, estavam nessa altura algumas funcionárias, que mantiveram a calma e acautelaram a segurança dos menores, e que, com o apoio da comunidade, têm desde então trabalhado sem parar, para garantir o seu bem-estar, conta a directora de serviços da Adeser II, instituição particular de solidariedade social, que integra O Girassol.

Com a cobertura muito danificada, as crianças ainda ficaram um dia no rés-do-chão do edifício, mas depressa se percebeu que, com tanta água infiltrada, havia que abandonar a casa de acolhimento.

Durante quase uma semana, as crianças foram alojadas nas instalações do Agrupamento de Escuteiros 36, da Marinha Grande, e com a ajuda do município, foi encontrada uma resposta temporária para nove meses. “A câmara tem sido incansável connosco e encontrou esta solução, o antigo Cogumelo, um infantário particular, que estava desactivado”, explica Marina Domingues.

Num “trabalho hercúleo” de equipa, desde a autorização conseguida domingo, as crianças foram alojadas na zona residencial deste equipamento, enquanto os serviços se reorganizam na outra ala do antigo infantário. Tudo isto acontece quando quase todos os 27 funcionários da Adeser II se deparam também com os danos nas suas próprias habitações, repara Marina Domingues.

Praticamente quase toda a estrutura da IPSS está agora concentrada neste antigo infantário, já que, além do edifício onde funcionava o centro de acolhimento, também o pavilhão no Casal do Malta, onde operava a sede, o programa CLDS e as salas de estudo, ficou com danos estruturais.

A Câmara da Marinha Grande, que detém os vários espaços cedidos à Adeser II, vai intervir com maior urgência no centro de acolhimento O Girassol, refere Marina Domingues. Mas será necessária a contribuição da comunidade para intervir também no pavilhão de Casal do Malta, onde é urgente encontrar uma empresa especializada na remoção de telhas de amianto e fundos para reabilitar esse espaço, onde a IPSS já tinha investido muito, nota a directora.

A residir mais longe da escola, as crianças d’O Girassol vão poder contar com o transporte público, assegurado pela TUMG. “Os meninos agora estão a viver a experiência de morar numa casa nova. É um misto de emoções. Temos que trabalhar no reequilíbrio deles e no nosso”, salienta Marina Domingues.

Empenhada em ajudar pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, a Adeser II precisa agora do apoio de todos e apela a donativos através da plataforma GoFundMe.