Opinião
O Verão mais fresco
Hoje apostamos as nossas fichas nos comerciantes de garagem que se tornaram os homens mais ricos do mundo a roubar as ideias dos outros (e a torná-las piores) e a explorar trabalhadores ao limite de fazer xixi em fraldas
Este é o Verão mais fresco do resto da tua vida. Sim, era isso que eu queria dizer. Este vai ser, provavelmente, o Verão menos quente que vamos ter daqui em diante. Difícil de acreditar, eu sei, tendo em conta o calor por que estamos a passar neste momento.
Mas é isso que nos dizem as previsões científicas. Lembram-se quando os cientistas eram pessoas respeitadas na sociedade, e ajudavam a tomar decisões políticas? Que tempos incríveis, hein? Hoje não!
Hoje apostamos as nossas fichas nos comerciantes de garagem que se tornaram os homens mais ricos do mundo a roubar as ideias dos outros (e a torná-las piores) e a explorar trabalhadores ao limite de fazer xixi em fraldas.
E ainda os chamamos de génios quando dizem que não podemos travar o desenvolvimento da superinteligência artificial salvadora da humanidade para atender à satisfação desse grande luxo humano que é… ter acesso a água.
“É preciso priorizar a inteligência que nos vai salvar em detrimento da biologia que nos atrasa.” - leia-se salvar a eles e ao seu estilo de vida ofensivo. Ao que chegámos!
Os nossos corpos são um atraso biológico!
Que tempos maravilhosos para estarmos vivos!
Quanto mais velhaco, mais venerado.
Para os mais desatentos: qualquer pessoa que esteja a ler este jornal está mais perto de morrer à sede ou de um golpe de calor causado pelas vindouras e cada vez piores ondas de calor e crises de escassez, do que em ganhar um bilhete dourado da fábrica de chocolate dos bond villains que nos governam via cultura Trump.
Mais: a única razão pela qual os governos mundiais não agem perante o caos climático em curso é porque foram cooptados por estes lindos pares de jarras que precisam de todos os recursos possíveis e imaginários do planeta para construir os seus projetos lunáticos de fuga para a lua e marte (!!!) e os bunkers para se refugiarem das tempestades que estão a semear.
A única coisa que resta saber é: vamos acordar desta lavagem cerebral colectiva entretanto, e espatifar cada data center que consome as nossas possibilidades de vida na Terra, ou vamos simplesmente prescindir do futuro dos nossos filhos?
Eu pergunto: que humanidade restará para salvar depois destes senhores fazerem todo o seu estrago?