Opinião

Fartos de Viver nas Lonas!

21 mar 2026 21:30

Se a coisa está má em todo o lado, em Leiria a Kristin agraciou-nos com mais uma camada de dificuldades

No próximo sábado, saímos à rua para clamar por soluções para a crise de habitação.

Em Leiria também, na Fonte Luminosa, às 17h00, com o movimento Porta a Porta.

Se a coisa está má em todo o lado, em Leiria a Kristin agraciou-nos com mais uma camada de dificuldades.

A CML é a primeira a reconhecer que este é um "fenómeno particularmente sentido no concelho", tendo reforçado esta semana medidas municipais de apoio à habitação através do Fundo Municipal de Emergência Social.

Louvamos, mas reiteramos: não chega, e não é a solução.

Ao contrário das intenções declaradas de não quererem "ter famílias que tenham de escolher entre o pagamento de uma renda ou pagar a medicação ou a aquisição de alimentação", a triste realidade é que isso acontece todos os dias no nosso Concelho.

Porque este é um problema de políticas públicas estatais que não só não ajudam a limitar a especulação imobiliária, como a agravam ativamente.

Deixem-me contar-vos uma história real: a S. é uma mulher viúva, trabalhadora, com vários problemas de saúde graves. Já não tem filhos a cargo, mas ainda tem de ajudar de muitas maneiras a família. Vivia com uma filha e um neto em Leiria, numa casa arrendada sem contrato (o salário mínimo nunca suportou um contrato de arrendamento legal).

A calamidade chegou, e com ela, as condições habitacionais da casa onde estava tornaram-se insustentáveis.

O senhorio recusou-se a fazer obras, tornando a saída inevitável.

Pediu apoio à Segurança Social e à CML.

Que sim senhor, podiam ajudar: ajudariam a pagar as primeiras rendas, incluindo caução.

Foram quase 3 semanas a perguntar-lhe se já tinha encontrado casa.

Foram buscas por todos os sites, todos os anúncios, dezenas de visitas.

Não conseguiu uma casa habitável com contrato de arrendamento por menos de 800€.

Hoje, encontrou uma casa fora do Concelho.

Vem de autocarro demasiado cedo, volta de boleia demasiado tarde.

Mesmo com a ajuda municipal (que não é eterna), era impossível suportar os custos, e teve de se sujeitar a outro arrendamento sem contrato, mais passe, mais dinheiro para o gasóleo da boleia — tudo junto, mais barato que a renda com contrato apoiada.

Esta é a realidade de um país inteiro à beira do abismo. Cansados, explorados, marginalizados, sem tecto digno. Já não dá!