Opinião
Letras | Cão Como Nós, Manuel Alegre - “A minha causa foi sempre Portugal”
Neste emocionante livro, Manuel Alegre leva-nos na viagem do tempo e do ser, à companhia daquele que dizem ser, o melhor amigo do homem
Manuel Alegre (1936) é um vulto central da cultura e política portuguesa. Resistente ao salazarismo e exilado em Argel, a sua poesia tornou-se símbolo de liberdade. Fundador do PS, redigiu o preâmbulo da Constituição de 1976 e foi deputado por décadas. Prémio Camões 2017, é atualmente Presidente Honorário do PS e membro do Conselho de Estado.
Neste emocionante livro, Manuel Alegre leva-nos na viagem do tempo e do ser, à companhia daquele que dizem ser, o melhor amigo do homem. À relação que um homem e sua família podem ter com o seu cão de guarda, por vezes antagónica, por vezes revendo-se no seu melhor e no seu pior. Cão com nome: Kurika.
O cão que cresceu consigo como homem, um cão que também podia ser homem, um cão que protegia os filhos e que apresentava tal personalidade, que também seria um cão dono do seu nariz, rebelde e que não lambia a mão.
Cão como nós, ou como eles no seu círculo familiar. Cão como nós, que acreditam na liberdade, na solidariedade, a desobediência e o amor, que nunca cederão a quem nos queira colocar uma trela, ou nos calar. Cão como nós é um poema de Manuel Alegre escrito após a morte do animal, uma celebração da sua presença e uma forma de luto.
"Cão como nós
Como nós eras altivo fiel mas como nós desobediente.
Gostavas de estar connosco a sós
mas não cativo e sempre presente-ausente
como nós.
Cão que não querias ser cão
e não lambias a mão
e não respondias à voz.
Cão Como nós."