Sociedade
Super@Solidão desenvolveu cerca de 4.400 intervenções de combate ao isolamento
O projecto conta, neste momento, com 47 participantes, com idades entre os 66 e os 96 anos, na maioria mulheres
Depois de “uma vida” em Lisboa, Catarina Marcelino mudou-se para Leiria em 2018. A viver sozinha, encontrou no projecto Super@Solidão, promovido pela Amitei - Associação de Solidariedade Social de Marrazes, um aliado para combater o isolamento.
“É maravilhoso. Trabalhei no atendimento ao público e falava com muita gente. Agora, acabo por estar mais fechada. Os dias que vou às actividades são uma boa ajuda”, partilha a mulher, uma das beneficiárias do projecto, que, no primeiro ano de funcionamento, já desenvolveu cerca de 4.400 intervenções, com o objectivo atenuar a solidão.
Criado com a missão de “chegar às pessoas mais isoladas” de Marrazes, Barosa, Milagres, Regueira de Pontes, Leiria, Cortes e Pousos, o Super@Solidão conta actualmente com meia centena de participantes, dos 66 aos 96 anos.
Segundo Sofia Pedrosa, coordenadora do projecto, quando este arrancou, “78% dos participantes apresentavam sinais de solidão e 84% tinham fragilidade físicas, psicológicas e sociais”. “Os dados confirmam que estamos a chegar às pessoas que necessitam deste acompanhamento”, diz a gerontóloga, revelando que, durante o primeiro ano, a equipa efectuou uma média mensal de 370 intervenções, ajustadas às necessidades de cada participante.
Coro comunitário
Ateliê de informática, sessões de fisioterapia, cuidados de enfermagem, exercícios de estimulação cognitiva e actividades de socialização, que vão desde uma simples ida ao café ou ao supermercado, a passeios à praia ou visitas a museus e à biblioteca, são algumas das iniciativas promovidas pelo projecto.
Os beneficiários podem também participar nas actividades da Amitei, o que, segundo Sofia Pedrosa, contribui para “desmitificar a imagem de lar e centro de dia”, ou integrar o Coro Comun(Idade), que junta ainda crianças e pessoas da comunidade.
“Mais do que preencher tempo, o projecto devolve rotinas, promove autonomia, reforça auto-estima e cria oportunidades para que as pessoas voltem a sentir-se parte da comunidade”, afirma a coordenadora.