DEPRESSÃO KRISTIN
Sem luz um mês após a Kristin, suinicultores dizem que ainda há muitas dezenas de explorações afectadas
Ao contrário daquilo que a EDP anunciou ontem
O anúncio, ontem, de que a electricidade tinha sido restabelecida a 100% dos clientes na região afectada pela passagem da tempestade Kristin, no dia 28 de Janeiro, caiu mal no seio da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS).
Esta organização sectorial contesta as declarações do presidente executivo da EDP, Miguel Stilwell d'Andrade, e dá o exemplo do que se passa no concelho de Leiria, que concentra 20% da produção suinícola nacional, onde ainda permanecem 48 explorações sem acesso à rede eléctrica, abrangendo uma área superior a 100 km², num perímetro que inclui Colmeias, Janardo, Boa Vista, Regueira de Pontes, Santa Eufémia, Bidoeira de Cima, Milagres e Ortigosa.
A federação refere "estupefação" perante as palavras do gestor, classificando-as de "ofensivas" para as milhares de famílias e centenas de empresas afectadas, que foram reduzidas a "algumas situações específicas", como as classificou este admnistrador da.
Mais de 10 mil animais vivem há um mês em condições precárias, com os sistemas de alimentação automática, ventilação e aquecimento dependentes de geradores, o que acarreta prejuízos diários crescentes.
A FPAS critica ainda a ausência total de comunicação por parte da EDP e da E-Redes sobre o progresso das reparações ou qualquer previsão de conclusão dos trabalhos, obrigando as empresas a renovar contratos de aluguer de geradores por tempo indeterminado.
Para a federação, as declarações do presidente executivo não traduzem um esquecimento, mas uma tentativa deliberada de encerrar um assunto que está "muito longe de estar resolvido".