DEPRESSÃO KRISTIN

Município de Leiria interveio em 500 telhados e disponibilizou mais de 1.7 milhões de m2 de lonas

17 fev 2026 11:11

A autarquia está a analisar os taludes que colapsaram ou estão em vias de colapsar

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Ricardo Graça

Desde o dia em que a depressão Kristin atingiu o concelho de Leiria e até esta segunda-feira, o Município interveio em 500 telhados, com o objectivo de garantir as condições mínimas de habitabilidade, sobretudo às famílias mais carenciadas. Foram ainda disponibilizados mais de 1.7 milhões de metros quadrados (m2) de lonas, que ajudaram a minimizar a falta de telhas nas milhares habitações do território.

O vereador José Cunha explicou, na última reunião de executivo, que a autarquia tinha realizado a intervenção em 500 telhados, envolvendo "um número parecido de voluntários", contando ainda com a colaboração de empresas do norte, que se deslocaram a Leiria "num espirito de solidariedade" para ajudar "as famílias que mais precisam".

"Todos os telhados ficaram destelhados e houve necessidade de dar uma resposta rápida, que foi feita através da cedência gratuita de lonas e também de manga plástica, num total de 1.750.000 m2, uma quantidade gigantesca. A cada pessoa foi dada uma quantidade de cerca de 50 m2, podendo ser reforçada essa cedência se fosse necessário", acrescentou o vereador Carlos Palheira.

Segundo este autarca, o município adquiriu 153 mil m2, "toda a restante lona foi cedida através da generosidade das empresas e pessoas do concelho". A Câmara de Leiria adquiriu 16 mil quilos de manga plástica, sendo que também recebeu a oferta de muitas pessoas. "Conseguimos chegar a cerca de 42 mil pessoas que a usaram para proteger os seus bens."

A lona custou à autarquia 267,231 mil euros e a manga plástica 27.171,88 euros mais IVA.

As telhas e a todo o material de construção,disponíveis no Mercado do Falcão diariamente das 9 às 17 horas, foi ofertado. "Já atribuímos telhas a cerca de sete mil pessoas (50 a cada uma). 

O Município de Leiria mantém o Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil activado desde as 7 horas da manhã do dia 28, assim como a declaração de situação de alerta, anunciou Luís Lopes.

O vereador anunciou ainda que até segunda-feira, sob a gestão directa da comissão municipal de emergência e protecção civil, estiveram envolvidos 10.439 operacionais de todas as entidades, não estando contabilizados nestas contas todos os voluntários que participaram no Limpar Leiria.

Foram mobilizados mais de três mil veículos e registaram-se 2.863 ocorrências, sendo que algumas deles integram muitas mais, como cortes de árvores, que podem ser 50 e está classificado como cortes de árvores, explicou Luís Lopes.

Citando informação da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, até às 10 horas de segunda-feira, tinham dado entrada na urgência de ortotrauma 1.834 feridos, sendo que foram retiradas 344 pessoas no concelho de Leiria, acrescentou.

Dos 16 mortos registados pela intempérie, seis foram em Leiria e do total de feridos 775 são do concelho de Leiria.

"Na protecção e socorro, passámos de desobstrução de vias para a gestão de cheias e nos últimos dias para a gestão de movimentos de massas em função da saturação dos solos e das situações que têm aparecido um pouco por todo o concelho", acrescentou, lembrando que o teatro de operações é todo o concelho, uma vez que não houve nenhum local que não tenha registado uma ocorrência.

Ana Valentim adiantou, na mesma reunião de câmara, que desde a primeira hora a preocupação foi "garantir as necessidades básicas  da população". "Implementámos na porta 10 [estádio] um ponto de recolha alimentar, constatámos um grande movimento de solidariedade de particulares, empresas e autarquias de vários pontos do País. Conseguimos garantir alimentação a 8.677 agregados failiares, o que equivale a 380 toneladas de géneros alimentares fonecidos a quem nos procurou", divulgou.

O próximo passo, revelou a vereadora, é chegar à "população mais fragilizada que ainda não tem electricidade e fazer um programa de entrega de cabazes alimentares no domicílio".

Segundo a autarca, o Município de Leriia registou 84 desalojados, instalados em estruturas de acolhimento de emergência e em unidades hoteleiras que ofereceram ajuda. "Agora, o nosso objectivo é adquirir casas modelares para realojar estas famílias até terem a sua casa. Algumas já estão nestas casas móveis, que estão localizadas nos Pousos, Maceira, Marrazes, Colmeias e Souto da Carpalhosa", referiu.

José Cunha acrescentou que a autarquia está a analisar os taludes que colapsaram ou estão em vias de colapsar. "Já temos uma lista considerável e temos de ver a melhor forma de os reparar."