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Leiria Film Fest. Sem temer o 13, festival reforça aposta em cinema de autor de qualidade

5 mai 2026 11:03

Começa hoje em Leiria

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Esta terça-feira há homenagem a Júlia Buisel, que está ligada ao cinema desde a década de 60
leiriafilmfest.com

Um filme da Indonésia, que aborda a relação de filho e mãe, e outro do Irão, que relata a vivência de jovens raparigas daquele país num dormitório, são alguns dos destaques da 13.ª edição do Leiria Film Fest, que decorre entre os dias 5 e 10 de Maio, no Teatro Miguel Franco.

A 13.ª edição do festival de curtas-metragens começou a ser preparada sob o signo da incerteza. O número, tradicionalmente associado ao azar, não passou despercebido. “Ficamos sempre naquela: será que abrimos o número 13, será que usamos numeração romana, será que saltamos?”, admite Bruno Carnide, co-director, entre o humor e a cautela. A depressão Kristin também trouxe dúvidas quanto à realização do evento. “Houve um momento em que não sabíamos se o festival poderia acontecer, se teria de ser cancelado ou adiado”, recorda, ao admitir que a incerteza chegou a gerar ansiedade na equipa. Mas a realização está garantida: “Vamos conseguir ter o festival como queríamos e como estava planeado desde o início.”

Este ano, o número de submissões voltou a bater recorde: 563 filmes. O festival seleccionou 40 curtas-metragens, oriundas de 20 países, distribuídas pelas várias categorias a concurso - ficção, documentário, animação e filmes para crianças -, reforçando a dimensão internacional e a crescente relevância do evento no circuito de festivais.

O número de participantes não é relevante, afirma Bruno Carnide, e uma forma de limitar as candidaturas é a cobrança de uma taxa simbólica, procurando que aqueles que chegam sejam exactamente o que pretendem. “Se fosse gratuito, receberíamos milhares e não teríamos estrutura para os avaliar.”

A comédia começa a ser uma presença habitual, para retirar o dramatismo da maioria das obras. “Temos tentado incluir uma ou duas comédias para aligeirar. Vamos ter uma muito engraçada, a espanhola Cara de Cona. O nome já diz tudo. E ver comédia, numa sala, em conjunto ganha uma dimensão maior do que quando é vista em solitário”, constata.

O cinema português também marca presença forte, com vários filmes nomeados aos Prémios Sophia, incluindo documentários e animações. “Diria que temos aqui o melhor do cinema português deste ano”, reforça.

Júlia Buisel, 87 anos, figura histórica do cinema português com mais de três décadas de colaboração com Manoel de Oliveira e ligações ao realizador leiriense António Campos, será homenageada. “É muito bom conseguirmos receber em Leiria uma pessoa destas, que faz cinema desde os anos 60/70. É um momento certo e oportuno para lhe prestarmos o devido valor”, observa Bruno Carnide.

O co-director destaca ainda a sessão Foco Macau, que apresentará quatro curtas-metragens de realizadores daquele território. A iniciativa procura reforçar a ligação histórica entre Portugal e Macau, ao mesmo tempo que abre espaço para novas perspectivas cinematográficas. “Queremos explorar que cinematografia é que eles têm para nos oferecer”, explica.