Sociedade

Leiria abre posto para fornecer bens alimentares básicos

29 jan 2026 12:55

Há 45 mil casas sem água em Leiria e o presidente da Câmara admite que reerguer a cidade vai demorar semanas ou mesmo meses

leiria-abre-posto-para-fornecer-bens-alimentares-basicos
Gonçalo Lopes: “Aquilo que nos deitou abaixo é a força que nos vai dar para levantar”
Ricardo Graça

O pavilhão dos Pousos vai estar a funcionar desde as 13 horas de hoje como posto de emergência “com fornecimento de bens alimentares básicos”, anunciou o presidente do município, Gonçalo Lopes, ao final da manhã.

No mesmo local, a população pode recolher “lonas e plásticos” para serem colocados nas coberturas das casas mais afectadas pelo mau tempo.

Gonçalo Lopes voltou a reforçar a ideia que Leiria esteve “no epicentro” da depressão e “está profundamente devastada”, mas considerou a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que esta quinta-feira visita a cidade, como um “sinal de alento” e “confiança”.

O autarca também já falou, por mais de uma vez, à distância, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Estou moltivado para voltar a erguer Leiria. Aquilo que nos deitou abaixo é a força que nos vai dar para levantar”, afirmou Gonçalo Lopes.

“Não é um trabalho de um dia, nem de dois, vão ser semanas, meses, com uma cidade em estaleiros para conseguir voltar a erguer aquilo que ficou destruído”, admitiu, o que inclui escolas, pavilhões desportivos e igrejas, entre outros edifícios.

“Não conseguimos acudir a todos, vamos ter de definir estratégias”, disse.

Dos “trabalhos mais urgentes”, o “primeiro de todos é a reposição de energia”, avisa o presidente da Câmara. A informação obtida junto da E-Redes e do Secretário de Estado da Energia indica que será um processo “muito demorado” porque a infraestrutura “foi muito abalada”, com cabos de média e alta tensão atingidos e também subestações. “Não nos deram ainda um calendário para a reposição de energia, talvez amanhã [sexta-feira] haja um cenário definido”.

Gonçalo Lopes adiantou que o município insistiu no “pedido de apoio de geradores”, porque “ainda existem muitas estruturas que não têm electricidade e que são vitais para o dia a dia”, nomeadamente, as que estão “relacionadas com [o fornecimento de] água”.

“Aquilo que pedia é que hoje ao final do dia existisse um esforço por parte dos serviços para que a água seja recolocada em todas as 45 mil casas que actualmente não têm água em Leiria”, explicou.

Entretanto, prossegue “a limpeza da cidade, com vários meios distribuídos”. Há ainda “muitas estradas com árvores tombadas nas bermas que são perigosas para a circulação”, mas “nenhuma delas está totalmente obstruída”.

Os trabalhos têm contado com reforços vindos de outras regiões do pais.