Sociedade

Iniciada intervenção de emergência da Lagoa de Óbidos

8 fev 2026 17:34

Obras visam relocalizar o canal que liga a lagoa ao mar, para salvaguardar um emissário submarino

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Redacção/Agência Lusa

Iniciada intervenção de emergência da Lagoa de Óbidos
Obras visam relocalizar o canal que liga a lagoa ao mar, para salvaguardar um emissário submarino
As câmaras das Caldas da Rainha e de Óbidos iniciaram uma intervenção de emergência para relocalizar o canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar, para salvaguardar um emissário submarino em risco de ficar a descoberto.
“Conseguimos todas as autorizações, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Capitania [do Porto de Peniche] e avançámos hoje com a mobilização de areias para deslocar a aberta [canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar] para o seu local habitual e fechar o canal que está agora mais próximo do emissário e da avenida do Mar” disse à agência Lusa o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Vítor Marques.
A “intervenção de emergência” prende-se com o facto de, pelo efeito das marés e das correntes, a aberta, “se ter deslocalizado para norte”, aproximando-se da avenida do mar, na Foz do Arelho “reduzindo muito o areal da praia”, explicou o autarca.
Com a deslocalização do canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar ficou também em risco “um emissário submarino que leva esgotos tratados até ao alto mar” e que, pelo facto de a água escavar a areia, “corre o risco de ficar a descoberto e de sofrer uma ruptura”, afirmou.
O emissário “tem tido alguns problemas de proximidade da água nos anos anteriores, nomeadamente na zona do Cais da Praia, onde o ano passado foi feita uma intervenção para evitar riscos”, disse Vítor Marques, clarificando que ainda assim “a água têm-se aproximado cada vez mais, tornando urgente esta intervenção”.
Com autorização da APA, que tutela a Lagoa de Óbidos, as duas autarquias ribeirinhas avançaram hoje com a intervenção para recolocar a aberta mais a sul, através da retirada de areia “com ‘dumpers’ (escavadoras), ‘bulldozers’ (máquinas de terraplanagem) e giratórias contratadas pelos municípios”.
A intervenção que “deverá rondar os 50 mil euros” é custeada pelas duas autarquias, do distrito de Leiria, e segundo Vítor Marques “deverá demorar cerca de uma semana, se as condições meteorológicas o permitirem”.
A Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, com uma área de 6,9 quilómetros quadrados que fazem fronteira terrestre com o concelho das Caldas da Rainha a norte (freguesias da Foz do Arelho e do Nadadouro) e com o concelho de Óbidos a sul (freguesias de vau e de Santa Maria).
A abertura da lagoa ao mar tende a fechar-se naturalmente devido à deposição de sedimentos, comprometendo a renovação da água, a qualidade dos habitats, a conservação das espécies e as atividades económicas dependentes do bom estado ecológico do ecossistema, como a pesca, a mariscagem e o turismo.
Por esse motivo, torna-se frequentemente necessária intervenção mecânica para garantir e manter essa comunicação com o mar, intervenção para a qual as duas autarquias ribeirinhas das Caldas da Rainha e de Óbidos pedem regularmente a intervenção da APA.