DEPRESSÃO KRISTIN

Estado “concierge” para reconstruir região

26 mar 2026 17:42

"Portugal é hoje mais vulnerável do que há 20 anos"

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Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, esteve presente na conferência Leiria, Economia, Risco
Fotografia: RG

A reconstrução pós-catástrofe da tempestade Kristin é vista não apenas como reposição, mas como uma oportunidade de modernização territorial.

Esta foi uma das ideias subjacentes à conferência Leiria, Economia, Risco, realizada na passada segunda-feira, no Teatro Miguel Franco, em Leiria.

Vários economistas, climatólogos, engenheiros civis, líderes empresariais e especialistas nacionais foram chamados para ajudar a traçar um plano para o momento crítico de transformação que a região de Leiria vive, num cenário de alterações climáticas cruéis e imprevisíveis.

José Reis, catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, alertou que "Portugal é hoje mais vulnerável do que há 20 anos", apontando a regionalização como a reforma necessária para capacitar o território.

Quanto ao pós-Kristin, afirmou que são necessárias, acima de tudo, "proximidade, coordenação e realização", propondo um modelo de governação de "concierge", desafiando o coordenador de missão, Paulo Fernandes, a uma política pública que combine proximidade, coordenação e realização.

Para o visado, o período de recuperação agora iniciado exige a gestão de paradoxos.

"Equilibrar a resposta imediata com o planeamento estratégico a longo prazo, de cinco a dez anos." Paulo Fernandes introduziu o conceito de "cuidar dos comuns" ou daquilo que é comum na região, defendendo uma abordagem bottom-up, onde os vários concelhos definem em conjunto as suas prioridades, rompendo com a "soma zero" da competição entre municípios (e empresas).

A encerrar o encontro, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, reforçou esta visão ao apelar à transição de uma sociedade reactiva para uma sociedade preventiva.

"As recentes tempestades afectaram concelhos que representam 13% do Valor Acrescentado Bruto nacional e 19,7% da indústria", disse, destacando o impacto nas infra-estruturas críticas, e sugerindo que o investimento em adaptação deve ser integrado nos modelos macroeconómicos, em especial num cenário de riscos "ciber-geopolíticos" e, em especial, sísmicos em Portugal.

Também o economista João Duque sublinhou que o Estado deve agir como garante de confiança, impedindo que um choque físico se transforme num choque de liquidez que comprometa a solvência das instituições financeiras locais.