Sociedade

Com um orçamento ilimitado, “a prioridade seria criar um parque habitacional público

3 mai 2026 12:00

Presidente da Junta de Freguesia de Famalicão, na Nazaré, diz que que “existe um ruído constante em torno da política que, muitas vezes, afasta da participação cívica pessoas competentes

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Pedro Marques
Ricardo Graça

Quais as principais preocupações enquanto autarca?
As principais preocupações prendem-se, desde logo, com o ambiente que hoje envolve o exercício de funções públicas. Existe um ruído constante em torno da política que, muitas vezes, afasta da participação cívica pessoas competentes, dinâmicas e com sentido de missão. A exposição a ataques pessoais, a crítica pouco construtiva e a exigência permanente sem condições proporcionais desincentivam o envolvimento de quem poderia contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento das comunidades. Esse afastamento é, a meu ver, um dos maiores riscos para o futuro do poder local.

Que visão tem para o futuro da freguesia e o que gostaria de alcançar durante o seu mandato?
A visão para a freguesia de Famalicão é clara: transformar estruturalmente o território com base num programa eleitoral exigente, mas exequível. O objectivo definido pelo executivo da Junta e pelos eleitos na Assembleia de Freguesia é concluir o mandato com a totalidade das medidas previstas concretizadas. Uma parte significativa já se encontra em execução ou concluída, o que permite encarar o restante mandato com confiança e sentido de responsabilidade. Mais do que anunciar, importa concretizar e deixar resultados visíveis na vida das pessoas.

Se tivesse orçamento ilimitado para um projecto, qual seria?
Se existisse um orçamento ilimitado, a prioridade seria criar um parque habitacional público, com rendas a custos controlados e sob gestão da Junta de Freguesia. A dificuldade no acesso à habitação é um dos principais problemas do País e tem impacto directo na fixação de população, especialmente de jovens famílias. Uma resposta local nesta área permitiria não só garantir condições de vida dignas, mas também reforçar a autonomia financeira da Junta, através de receitas estáveis provenientes do arrendamento. A habitação é um eixo estruturante: onde há habitação acessível, há pessoas, há economia, há associativismo e há futuro.

Imagine que a sua freguesia é um livro. Que título ou que livro escolhia?
Se a freguesia fosse um livro, o título seria “Um diamante por lapidar”. Famalicão tem um enorme potencial, assente na sua localização, na diversidade do território e na força da sua comunidade. No entanto, esse potencial ainda não foi totalmente trabalhado ou projectado. Cabe-nos, enquanto responsáveis públicos, criar as condições para que esse valor se afirme de forma sustentada.

Se pudesse convidar uma figura histórica ou celebridade para ser Presidente Honorário da Junta por um dia, quem seria e porquê?
Para Presidente Honorário por um dia, escolheria Álvaro Laborinho Lúcio, pela sua ligação ao território, pelo percurso cívico e pela forma como sempre defendeu valores fundamentais como a justiça, a cidadania e a responsabilidade social. Seria uma figura que representaria com dignidade e profundidade os princípios do poder local democrático.

Indique três locais imperdíveis na sua freguesia.
Entre os locais imperdíveis na freguesia destaco a Praia do Salgado, pela sua beleza natural e relevância no contexto regional; a Igreja de São Gião, um marco histórico e patrimonial de referência; e os trilhos naturais que atravessam zonas como Raposos e Serra da Pescaria, que permitem uma ligação única entre a paisagem e a natureza.