Economia
Aumento dos custos ameaça pequenos produtores de vinho
“A electricidade subiu exponencialmente” e os preços das caixas de cartão subiram 125%. As garrafas já aumentaram quatro vezes este ano
O aumento “continuado” dos preços das matérias-primas, dos materiais de engarrafamento, dos transportes e dos custos em geral está a levar inúmeros pequenos e médios produtores de vinho à beira da falência.
O alerta é da Associação Nacional dos Comerciantes e Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas, que diz que a “situação actual é dramática”.
“O preço dos combustíveis disparou”; os adubos e outros materiais agrícolas essenciais “subiram para mais do dobro”.
“A electricidade subiu exponencialmente” e os preços das caixas de cartão subiram 125%. As garrafas já aumentaram quatro vezes este ano.
“Os preços das matérias-primas subiram muito”, diz igualmente Sílvia Pereira, enóloga da Adega Cooperativa da Batalha.
A isto junta-se a dificuldade em encontrar alguns produtos e os prazos de entrega que não são cumpridos.
Estas dificuldades acrescidas estão a ter grandes impactos na actividade, até porque as vendas também têm caído, devido ao aumento da concorrência e à perda de poder de compra, adianta a responsável pela qualidade da adega.
“Os rótulos subiram também 50%. As rolhas 20%. As cápsulas 30%. Todos os fornecedores debitam agora aos produtores o transporte dos materiais, que antes estava incluído nos preços. E passaram a exigir aos pequenos e médios produtores o pagamento contra entrega, não concedendo prazos, como antes acontecia”, explica Paulo Amorim, presidente da Anceve, em nota à imprensa.
“Os produtores apenas conseguiram subir os seus preços de venda em cerca de 10%, pelo que a esmagadora maioria irá apresentar enormes prejuízos no final do ano, se lá conseguirem chegar”, alerta.