DEPRESSÃO KRISTIN

Seis meses após a Kristin, 1.600 clientes ainda sem comunicações

22 jul 2026 10:17

Região de Leiria concentra a maioria dos casos que continuam sem serviços fixos de comunicações quase seis meses após a tempestade

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Ainda há infra-estruturas que não estão repostas, seis meses após a tempestade
Fotografia: Ricardo Graça
Redacção/Agência Lusa

Quase seis meses depois de a depressão Kristin ter varrido o território, cerca de 1.600 clientes continuam sem serviços fixos de comunicações e a maioria está na região de Leiria.

O número foi avançado ontem, terça-feira, dia 21, pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que confirma ser este o território onde se concentra o maior número destas situações.

O valor representa menos de 1% dos acessos fixos inicialmente afectados e traduz uma recuperação expressiva face ao ponto de situação anterior: a 24 de Abril, eram ainda cerca de 20 mil os clientes sem serviço.

Segundo a comunicação do regulador, a previsão é de que grande parte dos acessos ainda em falta seja reposta nas próximas duas semanas.

As reclamações, essas, continuam a subir.

Até ao dia 15, a Anacom tinha recebido cerca de 2.200 reclamações escritas relacionadas com os fenómenos meteorológicos extremos do início do ano, quase o dobro das 1.200 contabilizadas em Abril.

Os motivos mais frequentes prendem-se com a demora na reposição dos serviços e a reincidência de falhas após reparação, com as dificuldades no contacto com os operadores, com a facturação do período de indisponibilidade e com o agendamento das intervenções técnicas.

O regulador assegura ter tratado cerca de 99% das reclamações recebidas, correspondendo as restantes a solicitações mais recentes.

Por que demora tanto a rede fixa

Questionada sobre a eventual abertura de procedimentos contra-ordenacionais às operadoras, a entidade presidida por Sandra Maximiano esclareceu que as suas equipas estiveram no terreno e constataram que as empresas de comunicações electrónicas e as detentoras de infra-estruturas mobilizaram de imediato meios humanos e técnicos para os trabalhos de recuperação.

A extensão territorial e a severidade dos danos obrigaram, contudo, a uma priorização: primeiro foi reposto o "backbone" das redes, para garantir a ligação às principais localidades, depois as redes móveis e, por fim, a rede fixa, cujos trabalhos ainda decorrem.

A explicação para o desfasamento está na natureza da própria rede.

Ao contrário da rede móvel, a reposição da rede fixa exige reconstruir toda a capilaridade da rede de acesso, habitação a habitação e estabelecimento a estabelecimento.

Subsistem ainda, segundo a Anacom, diversos postes por repor e quilómetros de cabos junto ao solo, com os trabalhos de reposição destas infra-estruturas físicas em curso mesmo onde o serviço já foi recuperado.

Há também um obstáculo acrescido, e este envolve directamente a população: os operadores têm alertado para inúmeros casos de cabos já reparados que voltam a ser danificados ou cortados durante trabalhos de limpeza de terrenos, apelando a que se evite manipulá-los ou pisá-los até à conclusão das obras.

Um sistema mais resiliente? Ainda não há resposta

No plano legislativo, o regulador submeteu ao Governo propostas destinadas a reforçar a capacidade de resposta e a resiliência das redes, designadamente quanto à coordenação das intervenções de limpeza e reparação de danos, às intervenções em propriedade privada e em espaços sob gestão de concessionárias e à priorização de clientes na reposição do fornecimento de energia eléctrica.

Foi ainda apresentada uma proposta relativa ao "roaming" nacional temporário e formuladas recomendações para simplificar os procedimentos de instalação de infra-estruturas.

Entretanto, foi publicado um diploma que estabelece um regime excepcional e temporário de simplificação administrativa e financeira para a reconstrução do património e das infra-estruturas nos concelhos afectados.

Já quanto à pergunta decisiva, ou seja, o sistema de comunicações está hoje mais bem preparado do que estava a 28 de Janeiro? A Anacom não se compromete.

Os elementos disponíveis, admite, não permitem concluir de forma inequívoca que a rede seja actualmente mais resiliente.

O que o País ganhou, sustenta o regulador, foi um conhecimento mais aprofundado das suas vulnerabilidades: os pontos críticos das redes, os constrangimentos na reposição dos serviços, a dependência das comunicações face ao fornecimento de energia eléctrica e a fragilidade dos traçados aéreos.

Os operadores, acrescenta, têm vindo a investir no reforço da robustez das suas redes.