Sociedade
150 anos depois do encerramento da Fábrica do Juncal, a arte cerâmica vai voltar à antiga casa dos Calados
A artista plástica e ceramista Rute Dias está entre os cinco novos empreendedores que se irão instalar na Real Factory do Juncal, em Porto de Mós.
Cinco novos empreendedores vão instalar-se na Real Factory do Juncal, em resultado da aprovação das candidaturas, feita, na semana passada, pela Câmara de Porto Mós. Com estes novos inquilinos, sobe para 11 o número de utilizadores do espaço, criado na antiga Casa dos Calados que, no século XVIII, foi o berço da Real Fábrica do Juncal.
Entre os novos ocupantes estará Rute Dias, cermista formada em Artes Plásticas – Escultura pela Universidade de Belas Artes de Lisboa, que “trará de volta ao espaço a arte da cerâmica artística, que foi, no século XVIII, o berço da casa”, assinala o presidente da câmara, Jorge Vala, que acredita que, até ao final do ano, as áreas dedicadas ao empreendedorismo da Real Factory ficarão “integralmente preenchidas”.
Na última reunião de executivo foi ainda aprovado um protocolo de colaboração com a Startup Leiria, que, entre outras actividades, prevê apoio na dinamização da Real Factory, que foi inaugurada em 2024, após um investimento de dois milhões de euros, financiado em 85% (1,5 ME) por fundos comunitários.
Fundada em 1770, por José Rodrigues da Silva e Sousa, a Fábrica do Juncal dedicou-se à cerâmica e à azuleijaria. Segundo o site visite.portodemos.pt, a importância que a fábrica foi adquirindo levou o seu fundador, em 1782, a dirigir à rainha D. Maria I uma petição para usar as Armas Reais por cima da porta da fábrica, graça que lhe foi concedida em 1784.
Durante as Invasões Francesas, a fábrica foi destruída, mas seria reconstruída pouco tempo depois. "Em 1837, a Fábrica do Juncal, continuava a figurar nas estatísticas como a única fábrica de louça branca do distrito", lê-se naquele site. Em 1876, acabaria por se encerrada.