Opinião

Segunda Epístola ao André, o Pereira!

1 abr 2026 12:58

A beleza da Fé cristã está mesmo aí. Não nas asneiras feitas, entenda-se. Mas no percurso de descoberta que se impõe em cada período da história

Meu Caro!

Começaste por referir a minha identidade “católico-cristão-ex-padre”. E bem. Cada um de nós é o que é, e no meu caso a matriz fé foi completamente estruturante. Já no teu, que desconheço, percebo um certo desprezo (ódio, será de mais?) por tudo ao que transcendente diz respeito. Desafio para esta troca de cartas desalinhadas.

Assim como a minha educação me fez privar com a fé, a tua, ou o teu caminho, privou-te dela. Ou afastou-te. E, no entanto, como ser que se questiona, muito rapidamente te vejo lançar mão dos defeitos da engrenagem eclesial, como se esta fosse Aquele em quem acreditar.

A beleza da Fé cristã está mesmo aí. Não nas asneiras feitas, entenda-se. Mas no percurso de descoberta que se impõe em cada período da história. História, percebemos, é palco das tentativas de apresentação do divino e das tentativas de acolhimento dos humanos.

Na Bíblia, percebes um Deus apresentado pelas “in e capacidades” de leitura das pessoas de então. Demasiada paciência para um Deus que quer ser do bem e que, em Seu nome, deixa fazer tanto mal! Talvez. Mas os Seus dias não são os nossos dias, assim como as Suas linhas não são as nossas.

Sabemos da disponibilidade de um Deus para se fazer humano e, como humano, levar ao limite o servir o outro, o encarnar a verdade, o anunciar um futuro de encontro e descoberta únicos.

Motivos para fazermos da vida alguma antecipação desses.

Revolução do jeito de ser e estar na existência: fogo que nos queima e chama a ser maiores, água que nos lava e hidrata as forças, sangue que nos redime e nos inspira, pão para as fomes maiores, palavra feita razão de ser. Palavra de Deus!

Sim por estes dias, celebramos a loucura de um Deus que, no pico da Sua apresentação aos humanos Se fez humano, morrendo numa entrega única e salvadora de mim, de ti, de toda a gente. Crentes e não crentes. Dos que O aceitam e rejeitam. Dos que O seguem ou perseguem.

Um Deus chato e inoportuno. Tal como a história dos que n’Ele acreditam.

Quem nunca!?

(Sim, temos de voltar à Ti Augusta e discutirmos petiscos bem mais leves!)