Opinião
Ratos com Crachás
E até dizer barbaridades como já ouvi: “devia haver mais Salazares!” Só se for o utensílio da cozinha!
Os ratos são animais desprezíveis. Vivem no lixo, espalham doenças e são tão cobardes que são os primeiros a abandonar os navios quando vão ao fundo.
Para nos livrarmos de uma praga de ratos, só mesmo com uma desinfestação profunda. E é o que será necessário encetar no caso da Esquadra do Rato e da polícia a nível nacional. Antes que se torne numa praga a sério.
A Peste Negra dizimou um terço da população europeia da altura. Foram os ratos e as pulgas, sabiam?
Que não tenhamos de chegar a tanto no caso das forças policiais.
Ouvia no rádio a semana passada que os critérios de seleção das polícias devem ser mais apertados especialmente a nível psicológico. Concordo.
Assim como concordo que se reforce o apoio psicológico ao longo da carreira para lidar com o stress do trabalho.
Mas é mais do que isto. Esta cultura subversiva que vem da “manosfera” é perigosa. Estamos a voltar a comportar-nos como animais em que o mais forte domina o mais fraco. Mas neste caso é o mais fraco com a autoridade de um crachá. E o silêncio e conivência do sistema que os protegeu e arquivou várias outras queixas. É possível cometer crimes e sair impune. Foi a mensagem que prevaleceu até há bem pouco tempo.
Deixo o desafio ao senhor ministro, mostre-nos que ninguém está acima da lei.
Volto sempre ao mesmo. Para mim uma das falhas fundamentais está no desenvolvimento do sentido crítico. Que abre caminho para o desenvolvimento ético e moral. Mas se não questionarmos estas ideias radicais, eles vão ganhando espaço e “parecem boas ideias”.
O Nazismo parecia uma boa ideia no papel. E milhões compraram a ideia. E milhões morreram e sofreram por causa dela.Eu sempre adorei História. Mas para quem diz que não serve para nada, vejam no que dá não conhecer a história. E até dizer barbaridades como já ouvi: “devia haver mais Salazares!” Só se for o utensílio da cozinha!
Quero deixar uma nota de louvor a todos os militares que já atendi em consulta que tiveram a coragem de enfrentar os seus demónios pessoais e deixá-los no consultório. Assim ficaram de fora das suas vidas pessoais e profissionais e conseguiram manter a sua integridade moral. Porque não é fácil ver injustiças todos os dias, ter vontade de as corrigir e a lei ter os seus limites. Mas o fácil é alimentar esses desejos e pensamentos perigosos e atuar sobre eles. Sem sentido crítico.
Parafraseando M. Luther King, no meio disto tudo o que me preocupa é “o silêncio dos bons.”
Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990