Opinião

Letras | Sonetos de Amor e Sacanagem, Gregório Duvivier

24 jul 2026 08:48

Diverti-me com o escândalo que são estas palavras, que agora nós, como plebe podemos ter acesso. A liberdade do que antes era púdico para a maioria, tornou-se acessível a todos

Bem conhecido na nossa cidade, pelo menos de quem gosta de humor e dos que gostam da língua portuguesa e a sua amplitude na relação com o Brasil.

Nascido no Rio de Janeiro em 1986, é actor, poeta, adepto do Fluminense e criou com os amigos, a Porta dos Fundos. Vive na mesma cidade em que nasceu e “deformou-se” em Letras na PUC-Rio.

Das letras construiu palavras e das palavras livros, peças e textos humorísticos. Na Tinta-da-China, publicou os livros Caviar É Uma Ova (2015), Sonetos (2017), Sísifo (2019) e À Flor da Língua (2026). Tem estado em cena com a peça O Céu Da Língua.

Curiosamente, no desfrute deste pequeno livro de sonetos, diverti-me com o escândalo que são estas palavras, que agora nós, como plebe podemos ter acesso. A liberdade do que antes era púdico para a maioria, tornou-se acessível a todos. Hoje somos todos por estatuto, da corte do banal, mas intrinsecamente humanos. Tal como Mozart, Bocage ou Marquês de Sade, em palavras ou gestos, agora em literatura, todos podemos deambular pelo desejo e a obscenidade. Se era permitido às classes superiores, hoje podemos também rir de condição humana na vulgaridade. Através do humor, da sátira, de sonetos jucosos, como tão divertidamente Duvivier, nos apresenta 48 poemas "entre o rigor da forma e a rigorosa piada".

Mas entre estes temas, do sexo, também se escreve o amor, dos dois a obsessão, e talvez não, a auto-ironia, o estilo mordaz, niilista e hilariante, como na Porta dos Fundos, tudo isto é verdade, como também escrever outras inutilidades.

Útil sim, é a língua que nos aproxima e no Soneto Português, existe também afecto:

“Nada disso, garanto é pessoal,

Não tem uma pitada de má fé,

Mas ninguém faz amor em Portugal

Sem antes passar horas num café.”