Opinião

Letras | Sagittarius A* ou os dias lá fora, António Pedro Marques

3 abr 2026 08:15

A vida pode levar anos-luz, mas a velocidade pode levar-nos a vida em nanossegundos

Imagine-se uma viagem. Uma onde a vida não seja suficiente para lá chegar; ou talvez se consiga com os melhores cálculos, fé na divina ciência, num Deus quântico ou nas bojardas do profeta Isaías nos seus remates para o terceiro anel. E também no amor, dos antepassados e do futuro. Dos heróis da bola, aos camaradas de luta. Dos avós à filha Sílvia.

estou aqui filha… quando olhares para cima… e só houver altura… e toda a terra/ e toda a terra/ e toda a terra.

O primeiro astronauta português a viajar a Europa com destino a Sagittarius A*. A vida pode levar anos-luz, mas a velocidade pode levar-nos a vida em nanossegundos. Como se deixa vestígios da jornada heróica, se não é a velocidade, mas sim, uma questão de ângulo?

E se chegarmos? 22 mil anos-luz e olá Sagittarius A* a poesia chega antes do que a vida. “Não sou eu quem me navega quem me navega é o mar é ele quem me carrega como nem fosse levar…

Este é um pequeno livro cheio de intenção d’ “O Maior Escritor Português Morto” António Pedro Marques, que ainda faz chegar após a sua morte (2018), textos à redacção da editora, sob esta assinatura.

Quando deixar de haver notícias livres, veículos de as fazer chegar às pessoas (as nossas “naves espaciais” de ir), ou a arte deixar de ser transmitida, lembrar que temos heróis do dia-a-dia e que até para além da morte, elas surgirão. Uma palavra de apoio e apreço a todos os profissionais desta casa-jornal, onde me deixam divagar sobre poesia e arte, onde possamos ser um pouco livres no vento das palavras.