Opinião
Ensino Superior: será o fim do sistema binário?
Por honestidade intelectual, importa referir que sempre defendi a Universidade Politécnica de Leiria
Há cerca de quatro anos e meio, no Conselho Geral do Politécnico de Leiria, o então conselheiro Professor Fernando Alexandre, convidado para o integrar, por quem viria a ser presidente do Politécnico de Leiria, Professor Carlos Rabadão, lançou uma ideia: a região precisava de uma universidade para acelerar o seu desenvolvimento económico e social, evocando como exemplos o Minho e Aveiro.
Nesse momento, Carlos Rabadão agarrou a oportunidade e fez caminho. Provavelmente nenhum dos dois imaginaria que, passados estes anos, um deles, agora Ministro, teria a capacidade política e o contexto para promover a criação da “Universidade de Leiria e Oeste”. Esta recordação serve para três reflexões: a importância das coincidências, a astúcia de aproveitar oportunidades e, finalmente, para dirigir publicamente os parabéns a ambos.
A Carlos Rabadão e a Fernando Alexandre, hoje Ministro da Educação, Ciência e Inovação, por terem conseguido uma proeza política que muitos, incluindo eu próprio, consideravam improvável no contexto do ensino superior português: transformar o Politécnico de Leiria numa instituição que passará a ter, essencialmente, natureza universitária, a futura Universidade de Leiria e Oeste.
Por honestidade intelectual, importa referir que sempre defendi a Universidade Politécnica de Leiria, preservando a matriz politécnica e a forte ligação à sociedade como elementos identitários, quer no ensino, quer na investigação com impacto no território, enraizada na região, mas com ambição nacional e internacional.
Os desafios serão muitos e a estratégia institucional da ULO terá de ser definida. No imediato, contudo, antevê-se um reforço significativo de financiamento. Com a decisão política de permitir que instituições que cumpram os requisitos do RJIES possam transitar entre subsistemas, como aconteceu com Porto e Leiria, é natural que outras queiram seguir o mesmo caminho.
Foi o que já anunciaram os Politécnicos de Viseu e Bragança, e é provável que outros se juntem. Quem enjeitaria a oportunidade de ter mais financiamento sem alterar o seu funcionamento? Com tudo isto, é muito provável que estejamos a assistir ao fim do sistema binário do ensino superior em Portugal.
Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990