Opinião

Dias maiores

26 mar 2026 10:57

Quando aqui é Primavera, lá é Outono. Se Verão aqui, Inverno lá. Findas as contas, o Sol nasce igual para todos. Metade do ano mais dum lado, a outra metade mais do outro. Em dois dias, igual para ambos. Perfeito equilíbrio, portanto

Finalmente chegou a Primavera. Todos merecíamos a sua chegada. Leiria ainda mais, depois de tantas noites de total breu, durante demasiado tempo para tantos e tantos. Deu-se o primeiro equinócio do ano, o da Primavera, em que a duração do dia é igual à duração da noite. Porquê? Porque, pela translação da Terra em torno do Sol e a inclinação sobre o seu eixo de rotação, neste dia, os raios solares incidem perpendicularmente sobre a linha do Equador, e com isso, a quantidade de luz que chega aos dois hemisférios é a mesma. E o dia dura igual à noite.

A partir de agora, no hemisfério Norte os dias passam a ser maiores, e no Sul o contrário. Em junho, teremos o solstício de Verão, com o dia mais longo e a noite mais curta do ano. Depois os dias começam a encolher, e em setembro teremos o segundo equinócio. O do Outono. A partir daí, as noites passam a ser maiores que os dias, até ao solstício de Inverno, com o dia mais curto e a noite mais longa do ano. E depois, um novo crescimento na duração dos dias até ao novo equinócio.

O mesmo acontece do outro lado, mas ao contrário. Quando aqui é Primavera, lá é Outono. Se Verão aqui, Inverno lá. Findas as contas, o Sol nasce igual para todos. Metade do ano mais dum lado, a outra metade mais do outro. Em dois dias, igual para ambos. Perfeito equilíbrio, portanto.

Acresce ainda a energia produzida pelo próprio planeta. A nuclear. Palavra tenebrosa, mas que na verdade, é o que também permite a Vida na Terra. Não fosse o nosso planeta geologicamente vivo e não seria possível ter Vida nele. O constante decaimento dos elementos radioativos que se encontram no nosso planeta, desde o núcleo até à crosta, liberta energia que ajuda a manter o nosso clima tal como o conhecemos. A energia solar, ou radiação cósmica, por si só não seria suficiente.

Por outro lado, a combustão fóssil aumenta também a temperatura global. O pernicioso é a perpetuação desse aumento. Ao libertar gases que ficam retidos na atmosfera, porque não a conseguem atravessar, como acontece com a radiação, estes gases absorvem a energia que lhes chega do Sol e da Terra, e o planeta acumula calor sem o conseguir libertar. O degelo acontece, e com isso o albedo diminui, isto é, a capacidade de libertar calor. Porque deixamos de ter um espelho refletor tão grande, o gelo das calotes polares. E ficamos com uma superfície escura maior, que absorve mais luz, mais energia. E o planeta aquece. E o gelo derrete. E o planeta aquece mais. E o gelo derrete ainda mais. E entramos num ciclo vicioso de aceleração do aquecimento global. Desequilibrado, portanto. Ao contrário deste ciclo de equinócios e solstícios, que ano após ano equilibra a quantidade de energia solar que chega aos dois hemisférios.

Com a energia solar equilibradamente distribuída, talvez a solução para muitos estreitos que alguns mundos impõem ao resto do mundo seja melhor usar o que a Natureza nos dá. Evoluir para opções energéticas mais equilibradas. Porque, afinal, o Sol nasce igual para todos.