Opinião

Biometano

31 mar 2026 21:30

A energia nuclear foi também equacionada, embora sem sucesso

Com a crescente crise energética decorrente da guerra no Irão, torna-se urgente encontrar alternativas às fontes de energia fóssil, como o petróleo e o gás natural.

Portugal tem feito um caminho de modo a tornar-se cada vez mais autónomo em energia, com base nas energias renováveis.

Esta trajetória iniciou-se com a aposta na energia hídrica, nas décadas de 50 e 60, à qual se seguiu a implementação de parques eólicos nos anos 2000.

Mais recentemente, as centrais fotovoltaicas ganharam dimensão e relevância no panorama nacional.

A energia nuclear foi também equacionada, embora sem sucesso.

Excluindo a energia nuclear, todas estas fontes de energia renovável (assim classificadas por terem origem em recursos naturais que são naturalmente repostos) contribuíram para reduzir a dependência da energia nacional face a combustíveis fósseis e poluentes, como o carvão e o fuelóleo.

Esta estratégia permitiu que a eletricidade produzida em Portugal fosse das menos poluentes a nível mundial, segundo o relatório da Agência Internacional da Energia Renewables 2025.

Todavia, permanece ainda o desafio de substituir o gás natural, que abastece grande parte da indústria vidreira e do setor doméstico.

É aqui que surge como solução o biometano.

Este é um gás produzido a partir dos efluentes de pecuárias (suiniculturas e vacarias), resíduos de agroindústrias como também de resíduos urbanos e das lamas das estações de tratamento de águas residuais.

Caso seja libertado para a atmosfera, o biometano tem um potencial de provocar aquecimento global 35 vezes superior ao do dióxido de carbono na atmosfera em 100 anos.

No entanto, quando queimado para produção de energia, liberta dióxido de carbono e vapor de água, fechando o ciclo do carbono.

França destaca-se como um dos países europeus com maior produção de biometano a partir de dejetos bovinos.

Através do biometano, as cooperativas que produzem leite têm conseguido uma receita segura e constante, pelos contratos a longo prazo.

Segundo um artigo do IDDRI de outubro de 2025, a produção de biometano é paga pelo Estado francês a 90 €/MWh, sendo o custo de produção de 130 €/MWh.

Em contrapartida, o preço de mercado do gás natural fixou-se, em média, nos 39 €/MWh em 2023.

Em Portugal, o Plano de Ação para o Biometano 2024-2040 prevê que uma produção e aproveitamento de 2,72 TWh permitam uma redução no consumo de gás natural na ordem dos 9,1% em 2030.

Esta aposta representará uma poupança de 135 milhões de euros em importações e de 45 milhões de euros em licenças de emissão de carbono.

Considerando o problema ambiental das suiniculturas e vacarias, a produção do biometano será uma boa medida para melhorar o ambiente e atenuar os custos de produção das pecuárias.

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990