Entrevista
Samuel Úria: “É muito difícil teres um país atrasado quando tens mentes desde novas educadas para serem críticas”
15 jan 2026 08:00
O cantor e compositor tem encontro marcado com o público na Marinha Grande e leva com ele canções que vê como agentes de mudança (Fotografia de Ricardo Graça)
Samuel Úria (Tondela, 1979) vai a palco na Marinha Grande já neste fim-de-semana (sábado, 17 de Janeiro, 21:30 horas, no Teatro Stephens) e está assim de regresso a uma região que conhece bem desde a infância e aonde volta com frequência para escrever. “A Marinha Grande é a terra do país onde tenho mais tios”, explica. “Posso usufruir de uma casa ali ao pé de São Pedro de Moel, em Água de Madeiros, é o sítio onde tenho escrito a maior parte dos meus discos, porque é muito isolado”. No Teatro Stephens, vai contar com a colaboração de Carol, artista com raízes na Marinha Grande que participa na faixa “Daqui para trás”, do álbum 2000 A. D., o mais recente na discografia do cantor e compositor que, antes de se dedicar em exclusivo à música, deu aulas em Leiria, na disciplina de Educação Visual e Tecnológica.
O concerto do próximo sábado, no Teatro Stephens, é quase como jogar em casa?
Sei que as pessoas estão a par, as pessoas que são minhas familiares aqui, mas nem sei se vêm ou se não vêm. Eles até costumam ir aos concertos a Lisboa, por isso presumo que estarão cá. A maior parte das canções que vão aqui desfilar foram escritas muito perto, ou seja, este acho que é o palco mais próximo do sítio em que as canções foram escritas. E nesse sentido as canções vão estar em casa, de facto.
E há alguma motivação especial pela circunstância de este espectáculo servir também para comemorar o 18 de Janeiro de 1934?
Não trarei canções, porque não as tenho, alusivas a essa data, mas sim, para mim é sempre curioso marcar os meus concertos para coincidirem com comemorações históricas e políticas, porque, embora sem eu ter nada premeditado, dá para relacionar as canções. Por exemplo, toco muito no 1.º de Maio e no 25 de Abril e é engraçado eu perceber como a história das minhas canções, às vezes até de uma forma inconsciente, está ligada às coisas que estão subjacentes, às revoluções, ao dia do trabalhador. Nunca trago discursos preparados. Há uma permeabilidade.
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